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Expresso

Um Governo licenciado em aldrabices

O governo de António Costa é, definitivamente, especialista na arte da manipulação, na disseminação de falsas ilusões e na ocultação da verdade aos portugueses. Sabemos que não é novidade, mas sabemos também que este executivo não tem um pingo de vergonha e que facilmente se mascara e desmascara – qual camaleão! – daquilo que mais convém aos seus caprichos e interesses momentâneos.

Ontem ficámos a conhecer mais uma patranha preparada e cozinhada pela máquina de propaganda do Partido Socialista e que foi apoiada – como já não é de admirar – pelo BE e PCP. Afinal o suposto aumento do OE na área da Educação irá sofrer uma baixa de 170 milhões de euros em 2017. Acontece que tanto o governo, como o PS, o PCP, o BE e até a FENPROF e o seu "desaparecido" líder, haviam anunciado um aumento de 280 milhões nesta área. Tal significa então que há uma diferença de 450 milhões de euros, pelo menos a acreditar nos "quadros" agora finalmente "aparecidos". Esta é pois a última aldrabice deste governo camaleónico.

Já há alguns dias tinha escrito aqui (http://expresso.sapo.pt/blogues/blogue_sem_cerimonia/2016-10-18-Orcamento-de-tanga-s-) sobre as "tangas" do Governo relativamente ao Orçamento de Estado para o próximo ano.

Na altura, e apenas três dias após a sua apresentação, salientei logo três mentiras, uma sobre o aumento das pensões, outra sobre a baixa do IRS e outra sobre o fim da sobretaxa. Desde então, não têm parado de surgir novos episódios todos os dias.

O governo de António Costa é verdadeiramente excepcional no "spin negativo", algo que prejudica gravemente a seriedade na acção política, que confunde os portugueses e que desacredita a própria política. Hábeis e habituados a esta escola socialista, António Costa vai ainda mais longe do que José Sócrates, seu mentor e de quem foi número dois, quanto esconde, da oposição e do país, partes fundamentais do OE2017.

Nesta matéria recordo-me bem do orçamento da ciência para 2016 em que o Ministro Manuel Heitor comparava, quanto ao passado, os orçamentos previstos (o orçamentado mas não o executado) por ele e Mariano Gago (2009/2010 e 2011) com os de Nuno Crato dos anos seguintes. Nas áreas da Educação e Ciência, como em algumas outras que não conheço tão em pormenor, parece haver um padrão socialista: orçamentam muito mas executam muito abaixo, o que lhes permite o discurso de "grandes orçamentos" quando afinal se trata de mais uma "tanga". Não é sério colocar no mesmo patamar o que cada um "prevê" com o que outros executam.

Tiago Brandão Rodrigues teve de facto "bons professores" e este OE2017 deixou o gato escondido com o rabo de fora. Pelos vistos, e como muito bem investigaram o Alexandre Homem de Cristo aqui (http://observador.pt/opiniao/quando-a-mentira-passa-por-verdade/) e Ana Petronilho aqui (http://ionline.sapo.pt/artigo/532352/orcamento-afinal-educacao-sofre-corte-de-170-milhoes-em-2017?seccao=Portugal_i), enquanto outros "comeram" o que a máquina da propaganda lhes vendeu, o orçamento da educação para o próximo ano é afinal inferior a 2016 segundo as previsões da execução reveladas agora pelo próprio governo, nos tais documentos que estavam escondidos, os famosos "Quadros do orçamento" que foram sonegados pelo Ministro das Finanças ao Parlamento.

Os últimos episódios desta tragicomédia, os casos da CGD ou os orçamentos da Educação e da Saúde, revelam muito bem uma conduta, uma forma de estar e uma atitude em que o mais importante é a manutenção do poder pelo poder e não aqueles que deveriam ser o objectivos máximos da acção política: a reforma do país; e a melhoria das condições de vida dos portugueses.

São este tipo de atitudes que minam a qualidade da democracia e o respeito das pessoas pelas Instituições. São episódios como estes que provocam a abstenção e o surgimento de fenómenos populistas. São comportamentos dúbios e camaleónicos como estes, que tornam o Estado mais fraco e mais exposto às corporações e lobby's que todos tanto tememos.

Não podemos pois permitir que as mentiras passem incólumes, por entre os pingos da chuva, como se fossem verdades universais. Ao ludibriar as pessoas, António Costa e a sua máquina de propaganda desacreditam também o Estado e as restantes Instituições. Tal não só é grave para Portugal, como prejudica seriamente a própria democracia.