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Expresso

Orçamento de “tanga(s)”

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Mário Centeno disse que o Orçamento de Estado para 2017 era de "esquerda", Catarina Martins veio de imediato desmentir, afirmando que este OE era de direita, mas que contaria na mesma com o voto favorável do Bloco de Esquerda. Ora, a meu ver, este Orçamento não é de esquerda nem de direita, é mesmo de "tanga", de inverdades várias e um claro embuste para os portugueses.

Ainda só passaram três dias desde a sua apresentação e não cessam de surgir na praça pública dúvidas e factos que contrariam os embustes que governo foi "atirando" cá para fora, as meias verdades que aliás são a tónica desta governação, tal como as manipulações de dados e de metas. Senão vejamos:

Tudo começou com a fábula da sobretaxa, que segundo o spin do Governo de António Costa já não se aplicava em 2017. Depois, após várias negociações, acabava em Março....mas após conhecido o texto do OE2017 todos ficámos a saber que afinal só acaba, na melhor das hipóteses, em Janeiro de 2018.

Depois vieram as pensões. Segundo o discurso do Governo, todas seriam aumentadas e algumas até receberiam um bónus extra de 10 euros. Falso. Primeiro, o governo esqueceu aqueles que têm precisamente as pensões mais baixas que nem um euro têm de aumento. Já ontem, ficámos também a saber que nem todos os pensionistas recebem os tais dez euros de bónus, ao contrário do anunciado e propagandeado pelo Governo PS/BE/PCP. Mais: os que recebem terão essa "prenda" mesmo no mês que antecede as eleições autárquicas. Deja vu do tempo de Sócrates que aumentou pensões a um mês de eleições e as cortou dias depois? Last but not the least, o propalado aumento das pensões fica abaixo do valor da inflação, ou seja, isto significa que as pessoas perdem poder de compra em 2017. Afinal as pensões até baixam porque o bónus dura apenas 6 meses do ano, não compensando a diferença para o valor da inflação que o próprio OE2017 assume para o próximo ano.

De seguida, os escalões do IRS. Supostamente todos os escalões iriam sair beneficiados, mas afinal o valor da inflação também é superior à alteração que o governo coloca no OE2017. Será que acham somos todos todos estúpidos?

Na área da Educação nem vale a pena ir mais longe, leiam o artigo do Alexandre Homem de Cristo e mais claro é impossível.

Depois de meses a ouvir o Primeiro-Ministro, tal como o Ministro Centeno, a dizer que o investimento estava mais acelerado do que em 2015, começamos a ler o OE2017 e qual não é o nosso espanto quando as tabelas falam de uma queda de -2,5% do investimento no 1º semestre. Esta confissão, deve ser uma das poucas verdades inscritas no OE, desmente categoricamente António Costa e Centeno. Andamos umas páginas mais para a frente e percebemos que Governo prevê uma queda de -0,7% do investimento ainda para este ano (quando em Abril projectava +4,9%), mas precisamente na mesma página conseguimos ler que afinal 2017 vai ter um crescimento de 4,5%. Que mentiam já sabíamos, mas que tinham este desplante achava que era impossível.

Na parte da administração pública ficámos a saber que o governo vai contratar dois funcionários públicos por cada um que sair (a regra até hoje era contratar um por cada um que saísse). Terá sido mais uma exigência do PCP? Ou da ala mais à esquerda do PS para quem todo o emprego e toda a economia deve depender do Estado? Ou será mesmo incompetência e trata-se de uma gralha? Sinceramente, não sei. Ou será mais uma "tanga"?

Entre as várias pérolas que é possível encontrar, temos frases mirabolantes como "o ténue crescimento económico que se seguiu à recessão de 2013 teve uma paragem brusca" mesmo antes da geringonça tomar posse, mas "desde então encetou-se uma recuperação da actividade e da confiança no futuro". Ou seja, com uma travagem brusca o país crescia a 1,6% (dados INE/Eurostat) em 2015, mas agora em "grande recuperação e confiança" cresce a 1%. Alguém mudou a escala dos números? Será que a magia de Centeno inventou uma nova matemática ou este governo confirma que não é mesmo honesto? Nem no tempo de Sócrates assistimos a tal desplante.

Eu bem sei que o OE para 2017 não será umas das leituras mais apetecíveis, sendo que provavelmente por isso 99,9% dos portugueses nunca o lerão, mas para atestar a honestidade deste governo era bom que todos os portugueses o lessem, pois ficariam intrigados e com uma dúvida legítima: se estariam a ler uma comédia, uma tragédia ou simplesmente um chorrilho de mentiras.

E a procissão ainda vai no adro...