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Expresso

Um ano de “cigarra”. Descubra as diferenças

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Todos conhecemos a fábula da cigarra e da formiga e sabemos qual o seu final. Perguntar-me-ão: mas o que tem isso a ver com geringonça? Tudo.

Completam-se hoje 12 meses desde as últimas eleições legislativas, aquelas em que a coligação PSD/CDS venceu, as mesmas em que o PS de António Costa foi derrotado. Foi também nesse dia em que o PCP e o Bloco voltaram a conseguir a confiança de apenas 10% dos portugueses.

Nessa altura, após três anos de austeridade (herdada da bancarrota socialista) o país crescia finalmente, o défice tinha caído de 11% para 3%, o desemprego tinha diminuído de 18% para 12%, Portugal exportava mais do que importava, a economia estava finalmente a crescer acima dos 1,5% (valor final foi 1,6%) e já grande parte dos cortes salariais e de pensões tinham sido devolvidos. Foi tudo isto, por ter invertido o ciclo, que PSD/CDS foram a solução que mereceu o voto do maior número de portugueses. Infelizmente, não foi suficiente.

PS, PCP e BE uniram-se de forma surpreendente e inédita numa frente anti-PSD/CDS, anti-União Europeia, anti-capitalismo, anti-investimento privado, anti-realidade, com apenas dois objetivos comuns: impedir PSD/CDS de governar e reverter todas as reformas que tinham permitido ao país começar a sair da crise. Havia um outro objetivo, mas esse apenas de António Costa, que era a sua sobrevivência política. E é apenas por causa desse instinto de sobrevivência que o líder do PS prefere viver sequestrado do que cair em desgraça.

Seria aceitável, e até justificável, que o PS prosseguisse a recuperação com o seu cunho pessoal, fazendo opções que o PSD não faria, mas sem esquecer o rumo e sem colocar em causa o esforço e os resultados conseguidos até então. Sim, seria desejável mas António Costa, Jerónimo e Catarina optaram pelo caminho contrário, decidiram voltar ao tempo de José Sócrates, mas sem estratégia, apenas com raiva.

O que fizeram de diferente e o que teria feito o PSD?

O PSD começou a repor os cortes logo em 2013 (cortes esses que começaram ainda com Sócrates) e essa reposição total seria feita, paulatinamente, até 2017. O PSD teria continuado a reformar o sector dos transportes, a torná-lo mais competitivo e a garantir o investimento necessário por parte de privados, estimulando a economia e melhorando a qualidade do serviço. Como hoje já percebemos, a geringonça resolveu voltar atrás, entregou os transportes aos sindicatos comunistas, evitando assim greves mas deixando os utilizadores sem sequer um bilhete para comprar. No fundo, António Costa trocou os cidadãos pelos sindicalistas do PCP.

Se o PSD estivesse no governo, teria prosseguido a política de exigência na educação, teria de investido nas escolas que ficaram por recuperar graças ao desperdício da festa da Parque Escolar, teria continuado a investir no ensino profissional e teria prosseguido o seu esforço de libertar a ciência dos lóbis do costume, apostando na inovação, na transferência de conhecimento das universidades para as empresas, criando valor e riqueza para todos. A geringonça optou por voltar atrás, às "novas oportunidades", a distribuir dinheiro na ciência aos mesmos de sempre, voltaram os atrasos nos pagamentos das bolsas de ação social aos estudantes, etc. etc. Refém da Fenprof, o ministro da Educação trocou os alunos pelos sindicalistas comunistas, abdicou da exigência em favor do sossego do facilitismo. Escravo do PCP, BE e do sector mais radical do PS, a "educação" recuou vários anos apenas para manter Mário Nogueira longe das manifestações e felizes os arautos do eduquês da 5 de Outubro.

Se o PSD estivesse no poder, a política de investimento teria prosseguido, os investimentos em infraestruturas na área dos transportes, portos e caminho-de-ferro ter-se-iam aprofundado, a política económico-financeira não teria assustado os investidores nacionais e estrangeiros e o crescimento continuaria a subir sustentadamente como acontece no resto da Europa, criando empregos e riqueza. A geringonça decidiu que não, mudou tudo, assustou investidores, acreditou, apesar de todos os avisos, que a reposição mais rápida dos rendimentos iria fazer disparar o consumo interno e fazer crescer a economia. Essa era a solução milagrosa. O resultado está à vista. Diariamente António Costa, Mário Centeno e Mariana Mortágua anunciam, à vez, novos impostos, uns que assustam investidores e outros que massacram ainda mais os cidadãos, apenas e só para pagar os erros cometidos pela geringonça e assim cumprir as metas do défice.

O PSD tinha uma política de médio prazo em que os impostos sobre as empresas e sobre as pessoas, diretos e indiretos, iriam sendo reduzidos progressivamente, facilitando a vida às pessoas e às empresas, reduzindo o peso e os encargos que o Estado exige aos cidadãos. Doze meses após as eleições, temos um governo que aumentou a despesa do Estado, aumentou os impostos sobre as empresas e sobre as pessoas. Se para o PSD/CDS a austeridade foi a única solução para a situação dramática do país, para a geringonça é uma forma de estar, é uma consequência da visão que têm do Estado.

Se o cenário macroeconómico inicial de Centeno e seus muchachos já era pouco realista, a introdução das exigências do BE e do PCP tornou-o lunático e impossível de realizar. Antonio Costa "torceu" o Excel do seu Ministro das Finanças e obrigou-o a pactuar com o acordo que lhe permitia ser Primeiro-Ministro. Passados dez meses de governação à esquerda, o resultado está à vista. Infelizmente, repito, infelizmente, Passos Coelho tinha razão nos alertas que fez. Infelizmente, os economistas e empresários também tinham razão nos alertas que fizeram. Infelizmente, a União Europeia tinha razão. Infelizmente, a UTAO tinha razão. Infelizmente o Conselho de Finanças Públicas tinha razão. Infelizmente, Portugal e os portugueses estão pior do que há dez meses.

A verdadeira raiva de António, Catarina e Jerónimo, é que se antes, apesar da austeridade os portugueses começaram a viver melhor e o país a crescer, hoje com austeridade boa, os portugueses deixam de ver a sua condição a melhorar e as empresas retraem todo o seu investimento. Portugal paga hoje o preço e o preconceito da geringonça.

Repito a pergunta inicial, valeu a pena? Julgo que a realidade do país fala por si. Portugal deixou de ser o bom exemplo da recuperação económica, deixou de estar no radar negativo dos mercados, deixou de subir lugares no ranking da competitividade, deixou de transmitir uma imagem de confiança e segurança aos cidadãos, às empresas e aos investidores.

Tudo isto, apenas e só, porque António Costa, a verdadeira "cigarra", queria ser Primeiro-Ministro. Tudo isto porque o ódio ao PSD e ao CDS era mais importante do que o futuro do país. Tudo isto porque para este PS, para este PCP e para este Bloco de Esquerda, a ideologia é sempre mais importante do que a realidade.

Um país só pode ter futuro se, tal como as formigas, trabalhar sempre arduamente para alcançar um dia-a-dia sem sobressaltos.