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O PS não manda mas governa

O desnorte que mina a coligação do governo assumiu ao longo da última semana proporções que ainda não conhecíamos, ou pelo menos que ainda não eram públicas. Temos uma deputada do Bloco que fala na vez do Ministro das Finanças, um primeiro-Ministro que faz de acólito de Catarina Martins e uma estratégia de política económica que falhou redondamente.

Como ontem confessou Carlos César, as previsões do governo para a economia não se concretizaram. Não foi por falta de aviso. De uma forma mais ou menos veemente, quer o PSD quer a UTAO, o Banco de Portugal, a Comissão Europeia ou até o FMI tinham alertado para o irrealismo ou excesso de otimismo do OE para este ano.

É por causa deste falhanço económico que o governo atrasou pagamentos, que não paga o que falta do QREN, que o PT2020 estagnou e que governo correu para o Banco Europeu de Investimentos (BEI) em busca de financiamento para fazer face aos encargos com a comparticipação nacional dos fundos europeus. Qual agora a solução de António Costa para enfrentar o seu falhanço? Mais uma vez, tal como quando era autarca de Lisboa, culpar os antecessores e aumentar impostos.

As várias reversões, as 35 horas, o aumento de impostos sobre os combustíveis, a devolução mais apressada de rendimentos (que começou ainda com Passos Coelho como o Expresso ontem recordava aqui) e o não prosseguimento das reformas estruturais, assustaram os investidores, tornaram Portugal um país menos atrativo para o investimento, congelando o crescimento económico, a criação de emprego e a recuperação do país.

É nesta sequência que o governo tem hoje a necessidade de encontrar mais receita, de procurar mais austeridade. É hoje claro que tudo isto é o preço que o país paga pelo "resgate" pedido por Bloco e PCP para que a "direita" fosse afastada do poder e António Costa coroado primeiro-ministro.

O facto de termos um Partido Socialista refém do Bloco de Esquerda levou-nos, nos últimos dias, a conhecer um conjunto de iniciativas que só têm paralelo em regimes que falharam como o da ex URSS ou da Venezuela. Medidas como tributar as poupanças e os depósitos bancários, criar novos impostos sobre o imobiliário, congelar as rendas e agravar o IMI para casas mais solarengas ou o acesso livre do fisco a todas as contas bancárias são propostas que revelam tiques que há muito estavam afastados do arco da governação. Num congresso do Bloco de Esquerda ou do MRPP, não me espantaria, mas é surpreendente que propostas como estas sejam aplaudidas de pé pelo Partido Socialista e confirmadas pelo primeiro-ministro.

Este não é o PS de Mário Soares, nem de António Guterres ou de António Vitorino. Soubemos hoje que nem o Presidente da Câmara de Lisboa, e delfim de António Costa, nem Helena Roseta ou Sérgio Sousa Pinto se revêm neste tipo de medidas. Até o líder comunista veio pedir bom senso e equilíbrio.

Na verdade, temos hoje um PS refém da extrema esquerda e de um conjunto de dirigentes, deputados e alguns governantes que provavelmente se sentiriam mais confortáveis num partido como o Bloco de Esquerda. É triste ver que temos hoje um PS que não manda mas governa (ou desgoverna).

As teses que ouvimos de Mariana Mortágua ou de Catarina Martins nem sequer são originais. Também já as ouvimos muito recentemente da boca de Pablo Iglesias ou de Nicolas Maduro com os resultados que todos conhecemos. Esta gente tem um preconceito contra quem cria riqueza por meios legítimos, por quem cria emprego e por quem atrai investimento.

Esta semana caiu o último elástico da máscara desta esquerda radical e vieram ao de cima as memórias do PREC de processos semelhantes que ocorreram noutros países da esfera comunista que conhecíamos apenas pela televisão.

Nas últimas eleições, a maioria não dos portugueses não votou em partidos que defendiam o fim do capitalismo, a saída da NATO ou da União Europeia. E o que é facto é que tanto os eleitores do PS como os portugueses gostam, na sua maioria, de viver numa economia de mercado.

É por isso que reitero que, atualmente, o maior desafio da nossa democracia é resgatar o PS das mãos do Bloco de Esquerda e dos radicais da extrema-esquerda portuguesa.