Siga-nos

Perfil

Expresso

Acesso ao superior: António Costa chumbou no exame de Ética

  • 333

Este domingo fomos acordados com uma excelente notícia: este ano não só houve mais colocações no ensino superior como também mais estudantes conseguiram entrar na sua primeira opção.

Como é habitual, pois este é um marco importante no percurso pessoal de qualquer estudante, foram milhares os “posts” de pais e alunos felizes com a entrada na universidade. Já menos normal foi o discurso inacreditável de António Costa, cujo estado de euforia a dever-se a alguma coisa, só poderia ser ao facto de os dados terem saído vinte e quatro horas antes do previsto e a tempo do discurso.

Se todos ficámos contentes e orgulhosos com estes resultados, também ficámos incrédulos com as suas palavras. É preciso ter um problema patológico com a realidade para relacionar o sucesso obtido única e exclusivamente pelos estudantes com a “inversão da política da direita na educação” e mais ainda para fazer desse sucesso dos alunos, um sucesso pessoal. Como se António Costa tivesse sido, de alguma forma, o responsável pelos resultados nos exames nacionais e nas colocações universitárias.

Mas em primeiro lugar, e em abono da verdade, é importante confirmar que este foi o ano (dos últimos seis) em que mais alunos, 42.958 para ser preciso, conseguiram entrar na primeira fase do concurso de acesso ao ensino superior. Só que é igualmente verdade que este número cresceu consecutiva e progressivamente ao longo dos últimos três anos: 2014, 2015 e 2016.

Como tal, se mais alunos acederam ao ensino superior, isso não se deve nem à melhoria da condição económica dos pais nem à magia de Manuel Heitor ou Tiago Brandão Rodrigues (não, as vacas ainda não voam!). Entraram mais alunos, porque mais alunos chegaram ao 12º ano em condições de entrar na faculdade. E isto porquê?

São diversos os fatores, sendo que o mais determinante será sempre, apenas e só, o esforço dos alunos e dos seus professores.

No entanto, importa lembrar ao atual primeiro–ministro, que estes resultados se devem também ao facto do governo anterior ter implementando a escolaridade obrigatória até ao 12º ano o que, em paralelo, aumentou as taxas de escolarização dos 16, 17 e 18 anos, melhorando a taxa de conclusão do ensino secundário. Ao mesmo tempo, medidas diversas tais como as alterações dos exames nacionais, as provas de aferição, o reforço de horas de disciplinas nucleares e a maior autonomia das escolas levou à queda drástica e para níveis históricos da taxa de retenção de alunos verificada ao longo dos últimos anos.

Por outro lado, nunca será de mais recordar a quem tem fraca memória que uma das grandes mudanças no ensino superior conseguidas pelo anterior governo foi o reforço da qualidade da ação social escolar, cujo reforço de verbas não foi prosseguido pelo atual governo. Isto significa que se mais alunos acabaram o 12º ano, se as notas desses alunos melhoraram, se houve menos alunos retidos ao longo dos últimos três anos, o mérito de António Costa e do atual governo no sucesso deste ano é igual a zero.

O discurso de António Costa atinge pois o cume da ilusionismo e da falta de ética quanto tentar roubar para si o sucesso deste ano, tentando justificar os bons resultados escolares com a melhoria das condições de vida dos agregados familiares, uma vez que o seu próprio governo reduziu as verbas disponíveis para a ação social escolar dos estudantes.

Ao contrário do que afirmou António Costa, o sucesso deste ano no acesso deve-se, obviamente e como já disse, aos alunos mas também muito às políticas da tal “direita”, aquela que “obrigou” todos os alunos a chegar ao 12º ano, aumentou a exigência que melhorou os resultados e que ao mesmo tempo reduziu os “chumbos”. Pelos vistos, Costa, Tiago, Catarina e Jerónimo estão mesmo a festejar o sucesso das políticas que tanto criticaram.

E assim sendo, ao que parece, Nuno Crato não era assim tão mau.