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Expresso

Desaparecidos em combate

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Agosto já vai a meio e a tónica do governo e dos seus parceiros de coligação parece ser a mesma: desaparecidos em combate ou quiçá perdidos na areia da praia. Não, não vou falar da lamentável lentidão do primeiro-ministro e da sua ministra da Administração Interna a reagir ao problema dos incêndios e a interromper as suas férias, isso deixamos para mais tarde, como disse Passos Coelho no Pontal, não fazemos aos outros o que criticámos no passado. Não vamos imitar PS, BE e PCP que na oposição e em plena época de crise nos incêndios, não hesitaram na demagogia e no aproveitamento político. Falo sim do desaparecimento do PS, BE e PCP relativamente à estagnação da economia.

Curiosamente, sempre que nos anos de 2013, 2014 e 2015 o crescimento económico era superior ao atual, atingindo mesmo 1,5% em 2015, era habitual ouvir António Costa, João Galamba, Pedro Marques, mas também Catarina Martins ou Mariana Mortágua, Jerónimo de Sousa, sem esquecer os comentadores como Pacheco Pereira, ou ainda académicos como Francisco Louçã e os seus habituais autores de manifestos “dos economistas” ou o grupo do Professor Boaventura, entre tantos outros que aqui poderia recordar, a falar em crescimento “anémico”, “insuficiente”, “raquítico” ou “sofrível”, mas pelos vistos agora não têm nada a dizer, não têm manifestos para redigir, “aulas” para dar ou manifestações para organizar.

As férias de verão têm dado jeito a muita gente.

Das duas uma, ou afinal 0,2% de crescimento económico é melhor que 1,5% e toda a história da matemática económica é assim colocada em causa, ou esta gente não tem um pingo de vergonha na cara, é incapaz de reconhecer o seu erro ou sequer de dar a cara pelo falhanço. A única posição conhecida até hoje do governo é um simples comunicado do Ministério das Finanças, numa atitude que qualifico apenas de cobarde e irresponsável.

Mesmo António Costa, que esteve muito bem a corrigir as declarações disparatadas da sua Ministra da Administração Interna, sobre o apoio europeu e chamando a si gestão desta crise dos incêndios, foi incapaz de dar uma resposta digna de um chefe de governo à questão da estagnação económica, ontem referida por Passos Coelho no Pontal. O primeiro-ministro português preferiu fazer algumas piadas ignorando a realidade económica em que o seu governo mergulhou Portugal.

Toda esta situação é ainda mais caricata, quando a principal critica feita ao governo anterior era a falta de crescimento em consequência da austeridade. Precisamente, a “geringonça” que ao longo dos últimos quatro anos, bem como na campanha eleitoral, defendeu que mais despesa pública garantiria mais crescimento, é hoje exposta ao ridículo quando salta à vista que passados oito meses de “governo de esquerda”, que apostou em mais despesa, o resultado da sua estratégia é menos crescimento económico e menos criação de emprego.

Outro sinal contraditório e do qual poucos se terão apercebido, é a confirmação por parte do Ministério das Finanças que nos próximos meses voltarão a Portugal as avaliações trimestrais da Comissão Europeia. O que significa isto? Voltámos a 2011? Falta de confiança? Ingerência?

Alguns dirão que o PSD só fala de economia e que não dá esperança às pessoas, mas se a alternativa é vender ilusões que em nada correspondem à verdade, eu prefiro continuar a alertar os portugueses para a realidade e a ter um líder que diz a verdade. O preço da ilusão já conhecemos, resultou em bancarrota, em troika e em austeridade.

Aguardo o regresso de férias do PS, BE e PCP para saber o que têm a dizer sobre o falhanço económico da sua solução, pois não quero acreditar que sobretudo o BE e o PCP perderam o seu espirito critico e sentido ético em troca de um prato de lentilhas.