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Expresso

António Guterres e o nosso orgulho

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Sempre que um português alcança grandes feitos no estrangeiro, conquistas, cargos, concretizações, e se destaca dos demais, há por cá diferentes tipos de reações. Há uns que, só porque é português, ficam imediatamente orgulhosos. Há outros, mais arrogantes, que consideram tudo isso uma parolice ou "saloiice". Há também os típicos invejosos que apenas desdenham ou que encontram as mais estúpidas justificações para o "imerecido" sucesso dos seus compatriotas. Por fim, há também os que "depende", depende de quem é, depende de que clube vieram, depende de que partido são, depende da casta de onde vêm.

Escrevo isto a propósito de António Guterres e da enorme possibilidade de o próximo secretário-geral das Nações Unidas poder vir a ser um português. Como é natural numa democracia madura, Portugal soube unir-se no apoio à sua candidatura, naturalmente porque é português mas também porque dá todas as garantias de vir a desempenhar o cargo com toda a competência. A candidatura do ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados é uma candidatura de Portugal e que une o país. Aliás, nunca é demais relembrar o histórico de respeito pelos direitos humanos que Portugal representa no seio das Nações Unidas ou não fosse o nosso país pioneiro na abolição da pena de morte.

É verdade que há sempre alguns que recordam o seu "mau desempenho" como primeiro-ministro, há outros que não gostam da sua "cor política" e que são mais tímidos nesse apoio, mas depois há também aqueles que, embora o apoiem, estão desejosos por encontrar uma "deixa" para dizer que o fulano A ou B não está assim tão empenhado e que por isso não é patriota. Esses são apenas mesquinhos que estão mais preocupados em ver se há alguma dissidência no apoio do que propriamente empenhados em ajudar a que candidatura corra bem.

Depois desta segunda votação fica cada vez mais claro que António Guterres é o favorito ao cargo e o único obstáculo que parece ter é não ser mulher. Não deixa de ser curioso, sobretudo para alguns defensores das quotas, que as próprias Nações Unidas possam colocar o "género" acima da "competência" quando nem consta dos critérios existentes na Carta das Nações Unidas. Isso sim é discriminação. Acredito que, mesmo assim, será muito difícil ao Conselho de Segurança "vetar" alguém que passou todas as etapas com "distinção" como António Guterres.

Portugal e o Governo tomaram a opção certa, Guterres era o português melhor colocado e com menos atritos para garantir o sucesso de uma candidatura nacional. De destacar também o papel da diplomacia portuguesa, tanto daqueles que se empenharam neste processo, mas também de todos quantos passaram pelas Nações Unidas, pelo Conselho de Segurança, ou que por esse muito fora construíram uma imagem de credibilidade da diplomacia portuguesa. Independentemente da vitória final, este trajecto já reforçou a credibilidade dos portugueses no mundo.

Hoje, muitos de nós destacam-se, competem com os melhores nas diferentes dimensões. Quer no desporto em geral, mas também na banca internacional, nas maiores consultoras, nos maiores fabricantes da indústria automovel, nas doctcom, nos mais variados sectores há portugueses que reforçam todos os dias a nossa credibilidade.

Infelizmente este nosso orgulho no sucesso dos portugueses não é generalizado. Uns por inveja, outros por preconceito, olham para alguns destes protagonistas com uma lente ideológica, clubista ou de classe. Não tenham dúvidas que o sucesso de um é o sucesso de todos, os portugueses que trabalham na União Europeia têm hoje um estatuto reforçado depois do mandato de Durão Barroso ou de António Vitorino, por mais que isso incomode algumas pessoas. Na banca internacional, o sucesso de pessoas como Horta Osório ou António Simões veio decerto abrir novas portas a outros portugueses. Nas universidades internacionais há portugueses que viram a credibilidade reforçada depois do sucesso de compatriotas como Sérgio Rebelo, Ricardo Reis, António Borges, Sobrinho Simões, Miguel Poiares Maduro, entre muitos outros compatriotas nossos, mais ou menos anónimos, que todos os dias fazem o melhor pelo nome de Portugal .

Se olharmos cada vez mais para o que nos une, sem preconceitos e sem egoísmos, será muito mais fácil alcançamos o sucesso pessoal e sobretudo o sucesso colectivo.