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Expresso

Governo dá com uma mão e tira com duas

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O debate em torno do Orçamento de Estado ainda agora começou e já todos percebemos que as promessas feitas pela esquerda, em campanha, chocaram de frente com própria realidade. Afinal, essas promessas não cabiam nem no tratado orçamental nem no cenário macroeconómico de Mário Centeno. Se os portugueses já pagavam demasiados impostos, Centeno e Costa consideraram que não era o suficiente e que podíamos pagar ainda mais para financiar as suas promessas eleitorais.

O custo do acordo à esquerda, o custo do resgate do qual o PS está refém do Bloco de Esquerda e do PCP, fica bem claro (caro) na factura agora apresentada aos contribuintes.

É tão lamentável este aumento de impostos, como a desonestidade de dirigentes do Bloco, PCP e PS, ao recusarem que estes afectam o rendimento disponível das famílias e a sustentabilidade do sector empresarial. Querem ver que as famílias não usam multibanco, não pagam gasolina, não compram produtos que ficam mais caros pelo aumento dos custos de transporte e não são afectadas pelos maiores custos das empresas? Querem ver que todos os portugueses têm oportunidade de utilizar transportes públicos? Vê-se bem que António Costa ainda não saiu da Câmara de Lisboa. No interior do país não há a oferta de transportes públicos, pagos pelo Estado Central, como o que há em Lisboa ou no Porto.

Alguns dirão agora que a direita também aumentou os impostos no passado, cortou salários, e portanto não pode criticar. Claro que podemos criticar. Não seria justo fazê-lo se o anterior governo o tivesse feito por convicção ideológica e não por necessidade e obrigação de pagar a bancarrota. Foi essa austeridade aplicada no passado que permitiria agora o não aumento de impostos, antes pelo contrário. Foi por causa dessa austeridade que foi possível baixar o IRC para as empresas, permitindo criar mais emprego. Foi por causa dessa austeridade que o défice português baixou de 11% para 3%. Foi por causa dessa austeridade que se salvou o Serviço Nacional de Saúde que tinha dívidas a mais de 4 anos. Foi graças a esse ajustamento que Portugal voltou a ser um país credível, que permitiu o aumento das exportações, equilibrando assim a balança de pagamentos, tornando-o também um país apetecível ao investimento externo. Foi graças a essa estratégia que a produção industrial não parou de subir por cá. E é aqui que reside a diferença, dado que houve um ciclo de desgraça que foi invertido ao longo dos últimos 4 anos e que tinha tornado possível o fim da austeridade.

O governo anterior aplicou um programa de austeridade necessária, iniciada e até negociada pelo PS, não por convicção mas sim por obrigação. Austeridade essa que produziu resultados, permitindo ao país sair da bancarrota, começar lentamente a repor o rendimento das pessoas e, por fim, reduzir a austeridade. Foi um esforço que valeu a pena e os portugueses perceberam que não havia outro caminho. Agora, aplica-se austeridade por opção, por compensação e por ideologia, apenas e só para pagar a factura do populismo irresponsável de esquerda. Esta nova austeridade não é mais do que o custo pago pelos portugueses para António Costa ser Primeiro Ministro.

Ao contrário das infantilidades proferidas por alguns protagonistas do "novo tempo", nao foi o PSD, nem o CDS, nem a União Europeia que obrigou este governo a aumentar impostos. Estes aumentos são a consequência natural das reversões à pressa, da reposição antecipada dos salários, da reposição do IVA da restauração, da reposição dos feriados, do aumento dos gastos na função pública, do aumento da despesa dos gabinetes dos membros do governo, da reversão da TAP e da queda prevista do investimento estrangeiro. Ou seja, no fundo é uma consequência do revanchismo deste governo. Este aumento de impostos é a consequência natural de promessas eleitorais irresponsáveis e populistas, da precipitação habitual do partido socialista em pensar apenas no curto prazo, por forma a obter benefícios no próximo processo eleitoral.

Este Governo não só não reverteu a austeridade, como ainda a veio agravar. Este Governo está também a conseguir reverter a credibilidade de Portugal e a asfixiar o crescimento da nossa economia. Em suma, é uma espécie de governo que dá com uma mão e depois tira com duas.