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Expresso

O que esconde e do que se esconde António Costa?

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Escrevo hoje num dia que se pode revelar histórico para Portugal pois, pela primeira vez na nossa história democrática, um governo que ganhou eleições é chumbado no Parlamento sem ter sequer a oportunidade de começar a governar, de aplicar o seu programa e de concretizar aquilo que prometeu aos portugueses. Inédito e, sobretudo, desonesto politicamente, surpreendente para os portugueses e preocupante para qualquer empresário ou instituição.

Outro facto surpreendente deste debate sobre o programa de governo é o facto do criador de toda esta instabilidade, António Costa, protagonista do debate político destas últimas semanas, ter fugido à primeira oportunidade que teve de confrontar Passos Coelho no Parlamento. Escondeu-se, evitou o escrutínio e não teve a coragem de questionar nem de ser questionado pelo líder do Governo em funções.

Mas o que teme António Costa? Tem medo que Passos Coelho o confronte com as suas incoerências? Receia que PSD e CDS exponham as fragilidades do cenário macroeconómico do PS? Teme ser confrontado com o facto dos números, já confirmados pela Comissão Europeia e pelo INE, demonstrarem que o PS, bem como o PCP e o Bloco, andou a mentir aos portugueses durante toda a campanha eleitoral levantando falsas suspeitas sobre a transparência e resultados da economia portuguesa? É legítimo questionar se António Costa teve medo de ser confrontado com a diferença entre o défice deixado pelo governo de que fez parte, era de 11% no tempo de Sócrates, e o facto de atualmente o défice das contas públicas estar já abaixo dos 3%? Será que António Costa receia ser confrontado com o aumento dos juros da dívida portuguesa desde que anunciou a sua coligação “Syriza à portuguesa”? Acredito que António Costa receou que Passos Coelho, à frente de todos os portugueses, lhe entregasse a fatura com o preço de toda a instabilidade criada nos mercados, na dívida portuguesa e sobretudo do investimento dos empresários em Portugal.

Outra curiosidade reside no facto de António Costa, outrora sempre tão solicito a aparecer ao lado de Mário Soares ou de Jorge Sampaio, evite a todo o custo ser confrontado com a sua violação da tradição política do PS, dos seus fundadores e de toda a sua história democrática. O PS é hoje refém da vontade do PCP e do Bloco de Esquerda, cenário que só seria possível nos piores pesadelos do fundador do PS, o ex Presidente Mário Soares, para quem toda a esta situação foi apelidada como “muito confusa”.

Não menos preocupante é a opacidade do órgão “comité central” do PCP, não porque tenha algo contra algum dos seus membros, mas sim porque o seu método de decisão sobre a coligação de esquerda é tudo menos insuspeito. Uma “unanimidade informal” só é uma votação democrática na Coreia do Norte, deixar a estabilidade de um governo, e logo do país, nas mãos de um grupo de 160 pessoas que toma decisões na obscuridade de um concilio cujas regras, de inspiração estalinista, todos desconhecemos, é um risco que António Costa decidiu assumir em troca do desespero de ser Primeiro-Ministro não eleito.

A instabilidade criada por António Costa terá já custos imediatos para o país, para a nossa economia e para os portugueses. Este facto podemos dar como garantido por via da incerteza causada nas empresas ao longo destas últimas semanas. Mas o problema maior é o que poderá vir a seguir, tendo em conta as cedências ao Bloco e ao PCP, em matéria de aumento da despesa, aliada à tradicional tendência do PS de levar o país à bancarrota.

A resposta à minha pergunta inicial é simples: António Costa escondeu-se sempre do escrutínio público da sua mensagem política, esconde-se agora da sua derrota e tenta esconder uma nova bancarrota para Portugal. Depois de tantos sacrifícios os portugueses não mereciam esta irresponsabilidade do PS.