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O martelo pneumático e o acordo que só Costa quer

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Ao longo das últimas semanas tem ficado cada vez mais claro que a única pessoa que em Portugal deseja convictamente um acordo de governação à esquerda é António Costa. Porquê? Pelo mais animal dos comportamentos humanos: so-bre-vi-vên-ci-a.

Mais: começa, também, a ficar claro que tanto o Bloco de Esquerda como o PCP querem apenas derrubar o Governo de centro-direita, mas evitam entrar num Governo com o PS. Aliás, os discursos mais ou menos hesitantes de dirigentes dos dois partidos de extrema-esquerda demonstram que estes querem evitar a todo o custo o ónus de inviabilizar uma coligação de esquerda.

Costa mentiu ao Presidente da República?

Duas semanas após a audiência de António Costa com o Presidente da República fica, também, por demais evidente que o Secretário-Geral do PS mentiu. Ou, pelo menos, para dizer o menos, deturpou a realidade a Cavaco Silva quando, à saída de uma audiência no Palácio de Belém, garantiu ter um acordo com o PCP e BE, um acordo que ainda hoje não existe.

Uma coisa é certa: há uma semana o número de António Costa tinha um, e apenas um, objetivo: evitar que Pedro Passos Coelho, líder da coligação que venceu as eleições, tomasse posse como Primeiro-Ministro.

Segundo BE e PCP respeito pelo Tratado Orçamental é um problema apenas do PS

Vejamos então o que nos dizem os partidos da esquerda parlamentar. Respeito pelo Tratado Orçamental? Cumprimento das regras da União Económica e Monetária? Pelas declarações públicas de dirigentes do BE – os porta-vozes desde desgoverno sombra - já percebemos que um eventual acordo à esquerda não irá prever nada sobre estas duas questões que são, segundo os partidos da extrema esquerda, uma mera preocupação do Partido Socialista. No fundo, tudo isto nos revela que António Costa está preparado para aceitar todas as exigências à sua esquerda mesmo colocando em perigo os nossos compromissos internacionais. Se assim não fosse, o bluff já teria sido coartado.

O martelo pneumático de Centeno

Na sequência da preocupação anterior surge uma outra já revelada pela imprensa escrita, nomeadamente pelo “Expresso” na edição deste fim-de-semana, relativamente ao “maquilhar do cenário macroeconómico feito pelo PS” para acomodar as exigências do Bloco e do PCP.

Por estes dias só pode andar Mário Centeno, o tal professor independente de reputação técnica impoluta, com um martelo pneumático a reajustar o Excel do cenário macroeconómico de forma a respeitar o Tratado Orçamental, os limites do défice e, ao mesmo tempo, acomodar os mais de 2.000 milhões de euros que custam o voto do Bloco e do PCP. Se isto fosse realista o macroeconomista do PS seria um sério candidato ao Nobel da Economia.

Todos nós, ricos ou pobres, empregados ou desempregados, patrões ou trabalhadores, sindicatos ou patronato sabemos hoje que não existe gelo quente e que caso PS, PCP e BE se juntem num Governo das duas uma: ou o líder do PS desagrada à extrema-esquerda e empurra o País para uma crise política; ou a extrema-esquerda desagrada-se de António Costa e empurra o País para uma crise política.