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Expresso

Quanto vale o “prato de lentilhas”?

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O Partido Socialista continua de cabeça enfiada na areia, a ignorar a derrota eleitoral. A derrota e o que a originou. O populismo, a falta de adesão à realidade, a incapacidade de fazer um mea culpa pela bancarrota, o alheamento do processo de recuperação de Portugal e a falta de confiança que tudo isso transmite aos portugueses estão na origem dessa derrota.

Se os portugueses quisessem António Costa como Primeiro-Ministro não tinham transferido tantos votos para o Bloco de Esquerda.

António Costa foi feito refém de Catarina Martins

Entretanto, o BE e o PCP aproveitam-se da fragilidade de Costa para criar instabilidade no sistema e, principalmente o Bloco, para fazer ao PS o que o Syriza fez ao PASOK… Matou-o. É oportuno recordar que o único partido da esquerda democrática que em campanha propôs aos eleitores uma coligação liderada pelo PS, o Livre, teve uns míseros 30 mil votos, 0,72%.

A estratégia atual de António Costa só se justifica como uma estratégia pessoal, algo desesperada, para se manter à frente do seu partido. O maior derrotado da noite eleitoral não é o PS, é António Costa que, incrivelmente e dadas as circunstâncias em que foi eleito, optou por não se demitir e quer, a todo o custo, prolongar um mandato dando instabilidade do país. É um verdadeiro desplante, que o Bloco vai aproveitar para fragilizar o próprio PS e captar parte do seu eleitorado mais à esquerda.

Olhando para a história verificamos que, se há uma grande diferença entre PS e PSD, esta está seguramente no sentido de Estado e compromisso com a estabilidade do País. Em 1995, António Guterres governou em minoria porque a direita lhe deu estabilidade, de tal modo que até venceu as eleições seguintes. Em 2009, o PSD viabilizou dois Orçamentos de Estado a José Sócrates e nunca apresentou uma moção de censura, viabilizando até três Programas de Estabilidade e Crescimento, salvaguardando o interesse nacional e respeitando a vontade dos eleitores. O PS nunca fez o exercício contrário, rasgando, até, pactos entretanto estabelecidos.

Legitimidade democrática em 2009 vs 2015

Em 2009, o próprio António Costa defendia precisamente o contrário do que faz agora.

Dizia, então, na Convenção socialista: “Desde 1987 que, quando votamos, escolhemos o Governo. Até aí era só instabilidade, votávamos e nunca sabíamos quem iria governar. Desde 1987 os portugueses conquistaram um direito que agora não podem renunciar: o direito de que os governos não sejam formados por jogos partidários, mas que resultem da vontade clara e inequívoca do voto dos portugueses.”

Se não fosse tão grave até seria engraçado

Se o que estivesse em causa não fosse a estabilidade da vida dos portugueses, em vez do radicalismo da esquerda irresponsável, se o que estivesse em causa não fosse deitar por terra o esforço das empresas e dos portugueses que ao longo de 4 anos tiraram o país da bancarrota em vez de vermos o desemprego a crescer, se o que estivesse em causa não fosse o risco de vermos os juros da nossa dívida a galopar em vez de os conseguirmos reduzir, se o que estivesse em causa não fosse o risco de vermos PME impedidas de exportar para certos mercados por não terem acesso a crédito, se tudo isto não fosse um risco real e incontornável...até teria alguma piada ver PCP, BE e PS juntos num Governo. Tenho a certeza de que, juntos, dariam um contributo sólido, tremendamente sólido, para um estável e duradouro Governo de centro-direita.

Ou seja, o que está em causa não é defendermos o PSD ou o CDS, ou até mesmo a vitória legítima que os dois partidos alcançaram nas urnas.

O que está em causa é defendermos o nosso país e o nosso futuro das garras de três partidos que, ignorando o resultado eleitoral, espezinhando a vontade popular, querem provocar um golpe de Estado democrático, um novo PREC em Portugal.

Existirá maior desonestidade eleitoral do que dois partidos antissistema – anti-Euro, anti-NATO e anti-Tratado Europeu - engolirem os programas eleitorais em seco, apenas e só, para alcançarem o poder, em troca de um “prato de lentilhas”?