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Expresso

Ouçam o povo, todos, sem exceção. É ele quem mais ordena

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São muitas as lições a retirar dos resultados eleitorais de ontem. Muitas lições para muita gente. Eu cá estou, tal e qual a maioria sólida em que fui eleito deputado, para retirar as minhas.

Desde logo, entre os alvos das lições de 4 de Outubro de 2015 estão os partidos com e sem assento parlamentar. O povo tem sempre razão e, para citar o PCP, é ele quem mais ordena. Por isso, é bom que os partidos ouçam o povo, com ouvidos de ouvir. Passos Coelho e a Coligação Portugal à Frente ganharam porque tiveram mais credibilidade do que o Partido Socialista

Hoje é, também, o dia em que alguns candidatos, comentadores e, até, jornalistas-comentadores devem repensar a sua forma de atuar, de intervir no espaço público e recordar para mais tarde reavaliar todas aquelas certezas que caíram com o encerramento das urnas.

Os donos do regime também perderam as eleições

Outros que insistentemente gostam de falar em nome do povo português devem, também, hoje, com humildade, perceber que falar de casos concretos e, em seguida, generalizar até ao infinito só resulta nas telenovelas.

É tempo, também, para alguns membros de partidos políticos pensarem que os portugueses disseram não aos donos do regime, aos donos da democracia que pululam entre PSD, PS, CDS, Bloco e PCP e pseudo movimentos de cidadãos que, muitas vezes, mais não são do que barrigas de aluguer de egos rejeitados por partidos já instalados.

O povo não é estúpido e não tolera traições nem a política do “bota abaixo” permanente sem alternativas realistas.

Democratizar a economia

Por essa Europa fora muitos se admiram pela tranquilidade com que os portugueses atravessaram estes quatros anos. São várias as razões, mas há uma que nem sempre é evidente e que se compara com as razões do sucesso eleitoral do Syriza: o combate ao status quo que foi feito pela coligação.

O Primeiro-Ministro Passos Coelho assumiu a estratégia de libertar Portugal das amarras dos interesses sempre instalados à boca do poder político, alguns com monopólios de décadas, outros à sombra dos supostos “interesses estratégicos nacionais”.

A “democratização da economia” (nas palavras de Passos Coelho) deu-nos uma economia menos “poluída”, com menos interferência do Estado, sem empréstimos “políticos” na CGD.

Pedro Passos Coelho foi o melhor intérprete que Portugal podia ter para se libertar da troika e dos grupos de interesse, com a frieza necessária e com uma fé inabalável. Muitas vezes sozinho, quando praticamente só ele acreditava que era possível dar a volta. O seu melhor aliado não foi Portas, nem o PSD, nem a União Europeia, foram os portugueses que, com moderação, permitiram as reformas que Portugal sofreu sem grandes sobressaltos. Os mesmos portugueses que compreenderam a sua urgência e lhe deram uma nova vitória que parecia improvável.

PS espezinhou o esforço dos portugueses

A vitória da “Coligação Portugal à Frente” demonstra que o povo português é moderado e responsável. O PS optou por dizer de forma quase contínua, à exceção do discurso de António Costa a um grupo de investidores chineses, que o país estava pior.

Desprezou o esforço dos portugueses e das nossas empresas. Espezinhou os sacrifícios de todos. Passos Coelho e a Coligação Portugal à Frente ganharam porque tiveram mais credibilidade do que o Partido Socialista

Outra lição que é preciso apreender: pelos vistos, a maioria dos portugueses já não se deixa iludir por alguns títulos de jornais, notícias requentadas no Facebook ou discursos inflamados de alguns capitães de Abril ou outros supostos pais do regime. As pessoas já não querem a política à moda antiga, ao estilo da esquerda caviar que fuma charuto e recita poemas de Abril mas que, ao mesmo tempo, aprova mais um subsídio para o camarada de tertúlia. Que evoca a democracia mas ofende a liberdade quando chama traidor a quem vota na direita, mas aprova mais uma PPP às escondidas. O populismo foi vencido pela razoabilidade, pela confiança e estabilidade. Os portugueses não são os gregos porque nunca foram desprezados, porque tiveram um governo que, com coragem, lhes disse na cara ao que vinha, sem falsas esperanças.

Apesar da retórica da desgraça as portuguesas e os portugueses sabem que nunca ficaram impedidos de levantar dinheiro no multibanco, nunca tiveram salários ou pensões em atraso, o seu Governo não fez fretes ao banqueiro A ou B, Passos Coelho não cedeu à tentação de governar para as eleições, não escondeu dívida debaixo do tapete e, afinal, o Estado Social foi mesmo salvo porque não falhou quando alguém dele necessitou.

Com um governo sem maioria é importante frisar que a responsabilidade da oposição também aumenta, foi essa a mensagem que os portugueses quiseram dar. Por outro lado disseram também ao Governo que é necessário conciliar mais, procurar mais consensos. A chave do sucesso dos próximos 4 anos dependerá da forma mais ou menos responsável com que cada lado da barricada assumir o seu papel. O ideal será esquecer barricadas e pensar mais em Portugal.

P.S. A terminar uma palavra para o PAN. Finalmente, há um partido “verde” no Parlamento além da agenda do PSD/CDS. O PAN teve sucesso porque teve uma causa, um desígnio e não apenas um protesto nem uma vaidade. É essa a grande lição que os outros partidos devem aprender nestas eleições.