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The European Dream – A Europa à frente?

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A resposta que a Europa, que cada Estado Membro, mas também que cada cidadão europeu souber dar a esta crise dos refugiados dirá muito sobre o quanto acreditamos, de facto, nos valores fundamentais do projecto europeu

Não, este artigo não é sobre a Coligação PSD/CDS nem sobre as próximas eleições na Grécia. É sim sobre o maior problema que Europa tem entre mãos: a crise dos refugiados e dos migrantes que chegam todos os dias às fronteiras europeias.

O Expresso publicou uma reportagem com uma mensagem notável: “se o mar não trava o desespero, será um muro que o fará?”. Ou seja, se o mediterrâneo não impediu os refugiados de chegar, não será um muro idiota que o fará. A UE tem nesta crise uma oportunidade para confirmar os seus principais valores como a liberdade, a solidariedade e a defesa dos direitos humanos. Foi para isso que a UE nasceu, não foi por causa do euro. Bem sei que a Europa é, há muitos anos, o principal doador mundial de ajuda ao desenvolvimento, apesar de nem sempre a opinião pública ter noção disso. Mas agora é tempo de ir ainda mais longe. A União Europeia é, para muitos, o bloco regional com maior autoridade moral, com maior respeito pela democracia e pelos direitos humanos. É por isso que nesta crise dos refugiados, que chegam às fronteiras europeias, se exige mais à Europa, aos Estados Membros (EM), mas também aos cidadãos europeus.

Países do sul versus países do norte

Os Estados Membros estão divididos, sentem o problema de forma diferente, têm uma experiência e um passado de migrações diferente, e ao longo dos últimos anos sempre estiveram em campos opostos nesta matéria. É justo recordar que os países do Sul sempre reclamaram uma política comum de emigração, que fosse mais eficaz e coordenada, o que raramente teve o apoio dos restantes Estados Membros, alguns dos quais aparecem agora como os “salvadores” e que melhor figura fazem na opinião pública.

Seja como for, o problema existe e carece de uma estratégia europeia à chegada mas também de um papel mais ativo da UE nos países de origem destes refugiados.

Refugiados procuram apenas um “chão” seguro

O Presidente da Comissão Europeia publicou um corajoso artigo onde dizia que “a Europa não pode rodear-se de uma muralha para se proteger dos migrantes”. A liderança moral da Europa tem de ser indiscutível neste processo de acolhimento a milhares de pessoas que fogem da morte, da tortura, da fome e da repressão. Estas pessoas não vêm para a Europa para promover a sharia, nem tão pouco para colocar bombas ou cometer atentados. Esses já cá vivem há anos, mal integrados e sem vigilância necessária. Estes fogem à morte, fogem desesperados apenas à procura de um chão para viver, onde não corram o risco de acordar ao som de tiros, de ter a escola interrompida por causa de uma bomba, ou de ver o seu local de trabalho ser utilizado como trincheira de guerra.

Boa integração dependerá de cada um de nós

A resposta que a Europa, que cada Estado Membro, mas também que cada cidadão europeu souber dar a esta crise dirá muito sobre o quanto acreditamos, de facto, nos valores fundamentais do projecto europeu. A Europa não pode ter uma política de portas escancaradas mas cada país, num esforço coletivo, deve procurar integrar o máximo possível de refugiados. A Europa precisa de pessoas, tem um grave problema demográfico e deve olhar para este fluxo migratório como uma oportunidade e não como uma ameaça.

A Europa terá sido vítima do próprio sucesso e representa a versão atual do “american dream”. Não pode é continuar a ser notícia porque morreram mais 70 refugiados dentro de um camião, ou porque naufragaram mais 200 pessoas num barco com solo europeu à vista. A Europa deve sim ser notícia, mas porque mais uma família refugiada conseguiu integrar-se num país europeu e em breve terá condições para voltar a casa, num clima de paz e prosperidade.