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Expresso

Opinião sem cerimónia

A dificuldade da direita perante a eficácia da esquerda

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Um pouco por toda a parte não faltam exemplos de governações de esquerda ou de direita que nos permitem ter uma noção clara das vantagens e desvantagens dos seus Governos. Sejam eles mais ideologicamente centrados à esquerda ou à direita.

A tolerância, para o bem e para o mal, face aos dois lados barricada é substancialmente diferente porque existem preconceitos enraizados em cada sociedade que marcam a abordagem que fazemos de cada problema ou situação. Um ditador de direita ou de esquerda, não deixa de ser um ditador. Não existem ditaduras más ou menos más. Não existem assassinos bons de esquerda e maus de direita. Franco não era pior do que Che Guevara, nem Fidel melhor do que Salazar ou Estaline, nem Pinochet melhor do que Mussolini. Ditadores, revolucionários assassinos ou corruptos, não há cá esquerda ou direita, são escroques. Ponto. Curiosamente alguns acabam como ícones da Esquerda caviar, outros escondidos da própria história ou branqueados num criativo revisionismo histórico.

A maior dificuldade da direita está em vencer a expectativa do sonho que a esquerda mais facilmente vende. O mundo novo, a estratégia de futuro que a esquerda promove nos eleitores é tida como visionária, se for feita pela direita, aí, é um simples acto do mais puro eleitoralismo. Se formos aos números verificamos facilmente que só a esquerda pode argumentar com estatísticas, sobretudo quando piora,, enquanto que a direita é insensível e só pode falar de pessoas, não pode comparar dados nem tendências de crescimento

Ainda ontem, o cabeça de lista do PS pelo Porto teve duas declarações que se fossem proferidas por alguém de direita mandavam abaixo o "Carmo a Trindade”. Numa disse temer a "fuga de cérebros, embora isso só lhes faça bem, aos cérebros emigrantes, porque “vão ver outras coisas". Concordo em absoluto com Alexandre Quintanilha, por isso não o critico, mas aguardo a demarcação do PS, de toda a esquerda e o levantar de um coro de indignação nacional contrariou toda a narrativa de esquerda dos últimos 4 anos.

Quando na esquerda várias vozes discordam do líder é a diversidade e a pluralidade de opinião a funcionarem em plenitude, mas se ocorrer na direita é porque o partido está partido, a desintegrar-se ou porque não há estratégia (Há sempre um Pacheco Pereira que com a autoridade de quem aparece na televisão tenta dar credibilidade a esta tese).

Outra dificuldade da direita está em combater a superioridade ética, moral e intelectual da esquerda. É para a direita muito complicado fazer um combate ideológico com a esquerda, sobretudo quando os exemplos que cá nos chegam são tão fantásticos e produziram resultados tão eficazes. Basta olhar para o sucesso que é exemplo de Lula da Silva e Dilma no Brasil, o combate que fizeram aos lóbis, às grandes empresas sempre em defesa dos trabalhadores, a distribuição de rendimentos que fizeram entre os mais pobres e, sobretudo, o exemplo que têm dado relativamente ao combate à corrupção.

Se olharmos mais para o lado vemos Chávez e Maduro, mais dois amigos inspiradores da esquerda portuguesa, principalmente do Partido Socialista, e o sucesso das suas políticas na liberdade de expressão dos seus opositores políticos, na alegria que se saltita nas ruas, no sucesso das empresas privadas e no inequívoco aumento da qualidade de vida dos venezuelanos...

Aqui mais perto temos o exemplo francês. Apresentado como uma espécie de salvador da esquerda moderada europeia, o homem que iria bater o pé a Merkel, Hollande representava a alternativa de esquerda à liderança conservadora na UE. Como todos sabemos teve imenso sucesso...

Mais: graças aos grandes resultados do amoroso senhor Hollande, a Europa experimentou outra alternativa de Esquerda, num estilo mais beligerante, surgindo na Grécia os corajosos senhores Tsipras e Varoufakis que prometeram o céu aos gregos e o Olimpo aos europeus. Como todos sabemos, a economia grega não cessa de crescer, o desemprego continua a baixar e as pessoas vivem cada vez com maior qualidade de vida. Por toda a Europa as pessoas invejam a Grécia e o sucesso das suas políticas. De esquerda, ninguém duvida.

A terminar, não posso deixar de recordar os bons exemplos da governação de esquerda que por cá temos tido. Três resgates sofridos, três bancarrotas sempre pela mão do mesmo partido. Além do grande exemplo que deram na separação entre a política e os negócios, a oportuna dívida que criaram para futuras gerações e a notável rede de PPP’s de luxo que deixaram para serem os netos a pagar.