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Expresso

Dados oficiais não deixam dúvidas: desemprego baixa há 29 meses consecutivos

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Acontece com o INE, com a OCDE, com o Eurostat, sempre que os seus dados e resultados dão jeito à narrativa da oposição qualquer instituição é credível, mas quando não servem o discurso catastrofista então aí já as entidades não prestam, há manipulação de números ou, segundo a nova tese de António Costa e talvez o seu maior grito/argumento de desespero “a realidade é muito diferente dos números e das estatísticas.” Portanto, são as estatísticas que estão erradas.

Quando, em plena execução de um programa de assistência financeira, a taxa de desemprego subiu até atingir o seu máximo (em Jan2013, 17,7%), quer o PS, quer o PCP, quer o BE citavam frequentemente os relatórios do INE, para garantir que a atuação do governo estava a provocar um “desemprego galopante”.

Desemprego sempre a baixar

Mas os mesmos números do INE começaram a deixar de ser fiáveis a partir do verão de 2013 (para a oposição incomodada com a recuperação do país) precisamente quando se começou a tornar óbvia a diminuição da taxa de desemprego, a um ritmo igualmente superior ao esperado. Mês após mês, o número absoluto de pessoas desempregadas desce, há 29 meses consecutivos. São dois anos e meio de quedas homólogas expressivas e, mais importante do que tudo, de redução do número de pessoas nesta situação. É verdade que alguns emigraram e outros deixaram de procurar emprego, mas a realidade demonstra um expressivo aumento da criação de emprego.

É oportuno esclarecer que não houve nenhuma alteração do método estatístico do INE entre 2011 e 2015. A única que ocorreu foi a alteração da periodicidade dos relatórios que passou de trimestral para mensal, com a figura da estimativa/valor provisório mensal. Até 2014, servia o Eurostat para a medição da taxa de desemprego mensalmente, também com base em dados do INE.

Quando a realidade desmonta a narrativa do PS

Pelos vistos, os números são fiáveis quando dá jeito. É a conclusão que se pode retirar. Senão vejamos: a 30 Março de 2015, quando o INE anunciava uma (previsão) subida da taxa de desemprego de 0,3 p.p. para 14,1% em Fevereiro, o PS apressou-se a fazer uso desses números, sem questionar a sua fiabilidade:

Inês de Medeiros, vice-presidente da bancada do PS: “Estes números do INE são obviamente uma má notícia. São um alerta muito sério e um doloroso desmentido ao discurso do Governo de autopromoção” (…) "não vale a pena começarem-se já a ensaiar nuances sobre o significado destes indicadores” (…) “A evolução do mercado de trabalho esteve e está totalmente dependente da política orçamental do Governo.”

Dois meses depois, após uma revisão/correção dos dados do INE, afinal o desemprego não está a subir nem ultrapassou a barreira dos 14%. Está de facto nos 12,4%.
Mas então, não continua em vigor a máxima de que não podemos contornar os números? Quem é que agora ensaia nuances sobre o significado deste indicador? A palavra de Nuno Sá, do Partido Socialista, em Fevereiro 2015: "no último trimestre de 2014, houve um aumento de cerca de 10 mil desempregados e uma redução de mais de 70 mil empregos", continuou o parlamentar do PS, criticando aquilo que considera serem discrepâncias entre dados do INE e dados do Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP). Neste caso, era o INE que dizia a verdade. E uma verdade que dava jeito ao discurso da oposição.

O próprio líder parlamentar do PS, Ferro Rodrigues, aproveitou um debate quinzenal a 1 de abril de 2015 para questionar o PM sobre a subida do desemprego, fazendo fé nos dados do INE. Os dados provavam que "a recuperação de que o senhor primeiro-ministro fala é uma miragem". O que se conclui? Que a má notícia para os portugueses, parecia ótima para o PS.
E para a restante oposição:

Afinal, não é bem assim. Mas agora não dá jeito dizer que a tendência de diminuição é inequívoca. Basta a ilusão de um mês ou um trimestre mais elevado, e os números não mentem e são incontornáveis. Mas 29 meses consecutivos de queda não parecem chegar para se falar em consistência.

E o que dizia José Sócrates em 2011?

De onde vem esta teoria de que, sempre que não dá jeito, a culpa é da alteração da metodologia do INE? Deixo aqui uma dica que encontrei no “baú”.

A 18 de Maio de 2011, José Sócrates reagia aos números do INE que colocavam a taxa de desemprego nos 12,4%. O secretário-geral do PS considerava que o indicador de uma taxa de desemprego de 12,4% em Portugal era resultado da nova metodologia do INE e da crise internacional. «A mudança para o número de 12,4% deve-se à nova metodologia e o INE teve o cuidado de esclarecer essa diferença», sustentou o primeiro-ministro já demissionário. Sócrates advogou também que a crise internacional «provocou um disparo do desemprego em todos os países desenvolvidos» (…) «O mais importante para respondermos ao problema do desemprego é concentrarmo-nos na recuperação económica em termos de crescimento, mas também no aumento das qualificações. Para esse objetivo o programa Novas Oportunidades dá um excelente contributo», acrescentou.

Em Fevereiro de 2011, a então deputada socialista Maria José Gamboa reagia aos números do INE que anunciava uma subida do desemprego para 11,1%, dizendo que o governo estava a fazer tudo o que devia ser feito. Questionada sobre se as políticas do Governo de combate ao desemprego estavam a falhar, Maria José Gamboa respondeu: "Qual é o nosso problema? Não são as políticas de emprego, é a economia. Na verdade, é o crescimento económico que dará oportunidade ao mercado de trabalho de crescer, desenvolver-se e abrir portas".