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Expresso

Opinião sem cerimónia

À grande e à socialista. Take two

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Ontem até da ida à lua se falou numa conferência do PS mas nem uma linha foi dita sobre como financiar este investimento à grande e à socialista. Será que hoje alguém vai revelar que descobriu petróleo no Rato? As promessas deste PS são ainda mais populistas do que as feitas por José Sócrates.

As mais recentes propostas apresentadas pelo Partido Socialista são bastante realistas e coerentes face ao passado do PS, semelhantes ao período Socrático, e confirmam os maiores defeitos do socialismo. Deste socialismo do bolso cheio e cofre vazio. Na conferência que organizou ontem em Lisboa António Costa revelou aos mais distraídos que quer gastar "à grande", que alguém há-de pagar. Como sempre, pagarão os portugueses.

Promessas de Costa vs promessas de Sócrates 

Se Sócrates apresentou o cheque bebé, Costa promete repor todos os salários e pensões, logo no primeiro ano de mandato. Se Sócrates prometeu 150 mil empregos, Costa promete, agora, repor de imediato todos os salários da função pública. Se Sócrates quis fazer um choque tecnológico, Costa parece querer levar o país à Lua. Costa promete baixar de imediato o IVA da restauração para 13%, nem foi para 18% ou 15%, foi mesmo para 13. Costa ainda foi mais longe do que Sócrates ao prometer retirar a sobretaxa do IRS de uma assentada só, repor as 35 horas na função pública, aumentar o salário mínimo para 552 euros e baixar o IMI. Onde já vai o PEC4. Se esquecermos a integração europeia ou o espaço de defesa comum ao hemisfério norte, entre o PS de Costa e o BE ou PCP não notamos diferença.

Não é apenas assustador, é, acima de tudo, revelador.  

Todas estas promessas custam 1.700 milhões de euros e ainda não vimos uma única linha sobre como serão financiadas todas estas intenções.

António Costa de Lisboa vs António Costa líder do PS 

Registemos, então, apenas as perplexidades porque Costa há dois: o até agora de Lisboa é uma coisa, o Costa que quer ser do País é outra bem distinta. 

O António Costa ex-presidente de Lisboa não baixou voluntariamente o IMI para a taxa mínima como fez, por exemplo, a Câmara de Mação (e muitas outras) mas só depois de forçado pelo PSD (onde o PS não tem maioria) em Assembleia Municipal, aproveitando a possibilidade criada pelo Orçamento de Estado. 

A despesa de Lisboa terá subido 17% em dois anos, apesar de terem passado 150 trabalhadores para as freguesias. 

António Costa, líder do PS, critica as privatizações mas não hesitou em alienar património da autarquia para obter receita. 

Há dias falou na utilização de fundos da Segurança  Social para a reabilitação urbana mas todos conhecemos o mau estado das ruas e da reabilitação em Lisboa - não por acaso no dia da tomada de posse de Fernando Medina é anunciado com pompa e circunstância um investimento substancial na reparação de estradas municipais.  

Também não tenho memória de ver António Costa a aumentar os trabalhadores da autarquia que auferem o salário mínimo, apesar de o prometer subir agora em todo o país. E será que, a cada greve no país, tal como aconteceu em Lisboa com a greve do lixo, o líder do PS cederá e fará promessas que depois não cumpre? Isto promete...

Costa reduziu dívida da autarquia à custa de Miguel Relvas

Curiosamente até a famosa redução da dívida da autarquia de Lisboa não impediu António Costa de aumentar diversas taxas aos lisboetas. Mas é bom recordar que tal proeza só foi conseguida porque foi o Estado central, uma vez mais, que assumiu 43% da dívida de Lisboa, como já se fez na Madeira, através de um acordo assinado pelo então Ministro-Adjunto Miguel Relvas onde o Governo assumiu o pagamento de 286 milhões de euros da dívida bancária de médio e longo prazo do município de Lisboa.

 Na conferência que ontem organizou sobre "investimento público", onde o Estado surge como promotor da economia, falou-se até da ida à Lua, da NASA, mas não surgiu uma única ideia para financiar todas as iniciativas que o PS visa promover.

Haverá petróleo no Largo do Rato? 

Hoje ficaremos a conhecer o "documento técnico" com o cenário macroeconómico traçado pelo PS que irá permitir todo este aumento de despesa. Não sei se irão descobrir petróleo no Largo do Rato mas dar-lhes-ei os parabéns se encontrarem uma solução realista, não Socrática ou Varoufakiana. Essas já conhecemos: uma levou-nos à bancarrota, a outra arrasta a Grécia para mais um resgate.