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Santana Lopes ou Fernando Seara: qual o candidato do PSD a Lisboa?

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João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

1. No PSD, já se fala dos candidatos às autárquicas de 2013. Domina a convicção geral no partido de que tais eleições representam um marco importante: uma derrota poderia dar um novo fôlego a António José Seguro e fragilizar (ainda mais) o executivo de Passos Coelho. Por conseguinte, Jorge Moreira da Silva e Miguel Relvas (sempre presente na vida do partido, claro!) têm dado a entender aos líderes locais do partido a relevância central das autárquicas. Sabe-se que a vitória é importante, mas muito, muito, muito difícil de alcançar: o Governo sofrerá naturalmente o castigo dos portugueses pela sua governação estrategicamente titubeante, socialmente injusta e financeiramente pouco útil. Acresce, ainda, a circunstância de o PSD ser hoje um partido em estado de "coma, adormecido, que se limita a assistir com subserviência ao que Passos Coelho vai fazendo. Como facilmente se percebe, o cenário é muito desfavorável para o PSD.

2. Posto isto, as linhas gerais da estratégia do PSD para as autárquicas será definida em Conselho Nacional no final do presente mês - e candidatos anunciados previsivelmente em Outubro. Resta saber se os candidatos às câmaras com maior visibilidade e impacto, serão divulgados antecipadamente, maxime, ainda este mês. Sabemos que existe essa tentação em certos dirigentes do PSD - e Passos Coelho não descarta essa possibilidade. No entanto, entendemos que não será a decisão mais cauta. Isto porque a revelação antecipada do candidato a Lisboa ou Porto (por exemplo) iria gerar uma enorme atenção mediática em torno do candidato escolhido já durante o próximo Verão, correndo-se o risco de esgotar e fragilizar a candidatura (como um balão de oxigénio que se vai esgotando aos poucos). Por outro lado, anunciar o candidato do PSD antes de o PS o fazer oficialmente, levará a que o debate político se foque já no candidato a Lisboa ou Porto, podendo António José Seguro chamar a si a responsabilidade de criticar as escolhas do PSD, fragilizá-las politicamente, associando-as à política do Governo PSD. Além disso, dará tempo para que o PS lime todas as arestas da sua estratégica, jogando na defensiva, esperando o erro, a gaffe dos candidatos do PSD durante os meses de Agosto ou Setembro. Concluímos, pois, que o PSD só deverá apresentar candidatos autárquicos (incluindo a Lisboa) em Outubro/Novembro. Até porque essa matéria não está na ordem do dia e os portugueses têm assuntos muito mais relevantes para a sua vida diária que pretendem que a classe política discuta e resolva.

3. Dito isto, surge a terceira (inevitável) questão: quem será o candidato do PSD à Câmara Municipal de Lisboa? Duas hipóteses: Fernando Seara e Pedro Santana Lopes, com uma amplíssima vantagem do primeiro. Seara é o candidato de Passos Coelho e de Miguel Relvas - e está cheio de vontade para abraçar o desafio. Com um grande ânimo para fazer uma campanha próxima dos lisboetas e uma estonteante confiança na vitória. A sua ligação ao Benfica e as aparições televisivas para comentar as incidências das jornadas futebolísticas conferem-lhe uma visibilidade importante. No entanto, confronta-se com uma dificuldade: Fernando Seara já fez saber que pretende o apoio do CDS à sua candidatura, ou seja, exige uma coligação entre os dois partidos. Lembre-se que esta foi a exigência de Fernando Seara para se candidatar a Sintra - onde foi vitorioso - e nos mandatos que efectuou como edil desta autarquia "governou" com o CDS. A coligação correu relativamente bem - e Seara já se municiou de sondagens que confirmam que uma candidatura conjunta dos dois partidos é mais forte. Contudo, no sábado, foi eleito o novo presidente da concelhia de Lisboa: Mauro Xavier, um "delegado" de Passos Coelho na estrutura do partido. Ora, a bandeira mais forte de Mauro Xavier foi, precisamente, a recusa de uma coligação com a CDS nas próximas autárquicas, garantindo que o PSD apresentará uma candidatura própria e exclusiva. O que representa uma ruptura com a estratégia autárquica do PSD para Lisboa dos últimos largos anos (desde a primeira vitória de Pedro Santana Lopes, com a excepção das eleições antecipadas de 2007). Será, pois, muito curioso seguir os próximos episódios desta novela autárquica: por um lado, Seara é apoiado por Miguel Relvas e indirectamente por Passos Coelho, mas impõe uma coligação pré-eleitoral com o CDS; por outro, o líder do aparelho lisboeta escolhido por Relvas e Passos opõe-se a uma candidatura em coligação com o CDS, impedindo aparentemente uma candidatura de Fernando Seara. Veremos como será resolvido este dilema que Mauro Xavier criou a Passos Coelho.

4. Por último, quanto a Santana Lopes, é improvável que seja candidato por uma razão simples: a estrutura lisboeta do PSD nutre um ódio e uma animosidade em relação a Santana Lopes sem precedentes, em virtude ainda das últimas eleições autárquicas. Santana Lopes optou então por fazer uma campanha solitária, com uma presença mínima do PSD. A máquina ainda não lhe perdoou.

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