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João Lemos Esteves (www.expresso.pt)

El "Zorrito Raposito" e a sua filinha pirilau de Amorim &capitalistas, Lda.

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1. O Henrique Raposo, ontem, deu-nos conta que acordou com um pensamento bolchevique revolucionário: taxar os mais ricos. Ou seja, obrigar o senhor Américo Amorim a contribuir para os sacrifícios nacionais - como qualquer português - é uma coisa do diabo, só ao alcance do pensamento do Bloco de Esquerda ou dos comunistas radicais soviéticos! Livre-nos Deus: ir ao bolso dos mais ricos é uma decisão digna de Estaline! Ui,ui! Coitadinhos: trabalharam tanto, tanto, tanto para obterem tamanha riqueza que devem estar subtraídos a essa coisa obscena que é pagar impostos! Os milionários americanos (e note-se que Henrique Raposo dirige-se a Warren Buffet como um milionário altruísta farsolas, por - imagine-se só! -quer pagar impostos e ser parte da solução para resolver os problemas financeiros americanos....uim que coisa tão diabóilica, sir Buffet!), franceses e cada vez mais europeus sabem que também perdem com a crise, com a recessão da economia imposta pelas medidas de austeridade - e, por conseguinte, não querem ficar de fora de um plano de recuperação financeira que dê novo élan à economia. Eles sabem que mais vale pagar mais umas notinhas em impostos do que perder tudo, caso a economia não melhore. Caso os mercados continuem (ou fiquem ainda mais!) instáveis. Eles percebem este argumento elementar. Todos percebemos este argumento elementar. Todos, excepto um jovem tão inteligente como é o Henrique Raposo. Por uma razão muito simples: preconceito ideológico. O Henrique Raposo quer ser um liberal exacerbado, enaltecer as virtudes do liberalismo económico sem reservas, achando que a política e as soluções para o futuro da colectividade podem ser encontradas como se fosse um mero exercício teórico-académico. Mas, até assim, o argumento do Henrique Raposo, e dos seus colegas ultra liberais, é fraquinho: é que um liberal a sério, com convicções fortes, não se preocuparia em defender apenas o senhor Américo Amorim dessa mania perigosa que é aumentar impostos. Pelo Contrário, criticaria o aumento de impostos cegos para todos os portugueses, sobretudo para os mais pobres - porque isso diminui o poder de compra e, logo, o livre comércio e a economia no seu todo. Isso sim, mereceria o nosso aplauso. Por que razão o Henrique Raposo e a filinha pirilau dos nossos ultra-liberais se preocupa tanto com os 2%, 3% de imposto que o senhor Amorim pode pagar a mais de imposto (não se preocupem, ele sobrevive!) e vive bem com a ideia de que a grande maioria dos portugueses vai sofrer um aumento brutal de impostos - e paga e cala-se bem caladinho?

2. Vejamos, de seguida, o argumento principal do Henrique Raposo: Amorim não deve pagar impostos porque o Serviço Nacional de Saúde tem um buraco enorme e só a fortuna de Amorim (e da filinha pirilau dos capitalistas portugueses) não chega para o resolver. Muito bem, Henrique, excelente! Está descoberto a razão justificativa para eu me recusar a pagar impostos: ah, o meu ordenado não serve para cobrir o buraco do Serviço Nacional de Saúde! Era preciso mais de 100 vezes o meu ordenado! Ora aqui está como podemos recusar pagar impostos! Caro leitor, na sua próxima declaração de IRS, não se esqueça de indicar que o montante de imposto que iria pagar não serve para tapar o buraco do SNS - assim, não tem que pagar nada, segundo a doutrina do Henrique Raposo! Enfim, sejamos sérios: obviamente que taxar os mais ricos não é a panaceia para os problemas financeiros nacionais. Ninguém julga que obrigar Amorim e a filinha pirilau dos capitalistas portugueses resolve o buraco do SNS, da educação ou de outro sector qualquer. Taxar a filinha pirilau de capitalistas é uma questão de moralidade e justiça elementar: se a todos os portugueses são exigidos sacrifícios e impostas medidas de austeridades, então aos mais ricos - e que mais beneficiaram com as loucuras desse mundo oculto que são os "mercados financeiros" - devem ser impostas medidas excepcionais, para que participem no esforço de recuperação nacional! Não há aqui nada de bolchevique ou soviético - apenas a exigência de solidariedade nacional e partilha de sacrifícios! A não ser que se ache que aumentar os impostos aos pobres e à classe média é uma medida liberal muito inteligente - já aumentar aos mais ricos é uma medida bolchevique, anti-democrática! Se assim for, rejeito completamente estas novas manias liberais!

3. Espero que el zorrito Raposito não fique hoje chocado com a filinha pirilau de portugueses com menos rendimentos que, ao abrigo do Plano de Emergência Social do governo, vai ter acesso a passes mais baratos. É que -ora bolas! - ajudar os que menos têm, significa que o senhor Américo Amorim já não pode comprar aquele carrão XPTO de milhares de euros - pensa el zorrito Raposito! Calma, Henrique Raposo, o senhor Américo Amorim e a filinha pirilau de capitalistas não vai sofrer nada com este governo Passos Coelho....