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É preciso topete

Taxa de analfabetismo em 1878: Portugal 80%, Alemanha 0,5%

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Paulo Gaião

Cavaco Silva invocou primeiro Fátima, hoje São Jorge. Quais as razões desta decadência do Presidente da República?  

Antero de Quental falava nas causas religiosas da decadência dos povos peninsulares, do poder colossal da Contra-Reforma em Portugal, guiada pelos jesuítas. 

Certamente muito actuais de reler em Antero (esta e as outras) para perceber melhor o que anda hoje na cabeça do nosso Presidente da República, um homem que não teve a sorte de nascer em berço de ouro, numa família espiritual, e seguiu uma carreira árida de tecnocrata, sem as luzes das humanidades, o que não lhe abriu brechas numa estrutura naturalmente conservadora.  

Como Mário Soares alertou mais do que uma vez em 2006, quando defrontou Cavaco nas presidenciais, este não tinha características intelectuais à altura do cargo.      

Inspirados em Antero, Vasco Pulido Valente e Vítor Bento travaram-se de razões há umas semanas, no jornal Público, para decifrar estas mesmas causas.  

Pulido Valente realçou que Portugal não pôde apanhar o comboio da Revolução Industrial porque não tinha carvão e ferro.  

Vítor Bento deu mais importância às questões culturais, da educação.  

O matemático Jorge Buescu é capaz de estar do lado de Vítor Bento. Porquê lembrá-lo aqui?   

Porque Buescu, há quatro anos, num livro sobre o ensino da Matemática em Portugal (edição Fundação Francisco Manuel Dos Santos)  lembrava a mediocridade do nosso ensino com números impressionantes da taxa de analfabetismo no nosso país, comparativamente aos do Norte da Europa       

Por exemplo em 1878, segundo Buescu, a taxa de analfabetismo em Portugal era de 80% no ensino básico. Ora, no mesmo ano,  a taxa de analfabetismo na Suécia era de 0,4%, na Alemanha 0,51%, em Inglaterra e na Escócia, 1%, na Noruega, 0,08% e na Dinamarca, 0,36%.  

Quais as causas desta desgraça? Talvez seja melhor voltsar ler Antero de Quental...