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Expresso

É preciso topete

Os banqueiros estão todos com Passos Coelho

Paulo Gaião

Verdadeiramente quem manda no país há dez anos são os banqueiros, apoiados por senadores e comentadores de topo que andam há muito por aqui e são unha com carne com os banqueiros.

Muitos conhecem-se da vida partidária, porque há cada vez mais banqueiros vindos da política, o que aumenta a promiscuidade e o poder de influência dos bancos sobre a governação do país.

Os banqueiros não gostaram do acórdão constitucional da semana passada, defenderam as posições do governo, ficaram em pânico com a voz grossa de Bruxelas e Berlim com Portugal. Temem uma crise política e a realização de novas eleições que ponham o seu estatuto protegido em causa.

Para dar espaço de manobra ao Governo de Passos Coelho, os banqueiros lançam apelos para um governo ou pacto nacional com o PS, bem sabendo que António José Seguro não quer nem tem condições políticas para o fazer. O objectivo é salvar o governo de Passos. 

Faria de Oliveira, presidente da Caixa Geral de Depósitos e da Associação dos Bancos Portugueses tem sido o arauto desta estratégia, estendida ao CDS.

O facto é que o governo se prepara para passar a tormenta, com o apoio dos banqueiros eo branqueamento de Cavaco Silva, ainda que  pondo em causa o regular funcionamento das instituições com o afrontamento ao Tribunal Constitucional e o estado de excepção decretado por Gaspar. Este é um verdadeiro estado de emergência e talvez precisasse de ser decretado pela Assembleia da República e votado por maioria de dois terços.   

São os banqueiros que hoje sustentam Passos Coelho, com a cumplicidade do Presidente da República.

Os banqueiros hoje fazem viver Passos. Ontem mataram dois primeiro-ministros. 

Foram os banqueiros que asfixiaram o governo de José Sócrates em 2011, deixando de comprar dívida portuguesa, e estiveram na origem do pedido de resgaste a Portugal e da demissão do líder do PS.

Apostavam já no PSD e em Passos Coelho, com a acção directa de Cavaco Silva.

Foram os bancos que deram a estocada final ao governo de Santana Lopes, apostando já em José Sócrates e em eleições, com o envolvimento directo de Jorge Sampaio.    

A bolsa portuguesa teve ontem a melhor sessão desde Maio de 2010, um ano antes do pedido de regaste financeiro. Os bancos foram os mais beneficiados, com subidas de dois dígitos.

Há dois dias, as acções dos bancos também subiram (ainda que aliviando as perdas da semana passada). A possibilidade de alargamento dos prazos para sete anos do pagamento da dívida portuguesa estará na origem desta subida.

Como é sabido, a troika criou em 2011 uma linha especial de 12 mil milhões de euros para recapitalizar os bancos. É através dela que alguns bancos têm sobrevivido. O caso mais evidente é o Banif.

É um modelo que torna os bancos instrumentos essenciais da política financeira e económica, em Portugal e na Europa. Nada se faz sem eles, ainda que tenham sido os bancos os grandes responsáveis pelas crises que se vivem em muitos países, Irlanda, Espanha, Grécia, Chipre, Eslovénia (também Portugal através do BPN e Banif).

Os bancos têm ganho muitos milhões de euros com a compra de dívida portuguesa. Financiaram-se junto do BCE a juros baixos, compraram dívida e obtêm rentabilidades muito superiores.

A vida corre-lhes bem.