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Expresso

É preciso topete

Onde está o partido pós troika que esvazia PSD e PS?

Paulo Gaião

Em 1979, um ano após o primeiro pacote de resgate e apenas quatro anos após o 25 de Abril, aconteceu o que a esquerda considerava impossível.     

A Aliança Democrática -- coligação entre o PSD de Sá Carneiro, o CDS de Freitas do Amaral, o PPM de Gonçalo Ribeiro Teles e ainda figuras independentes, como António Barreto e Francisco Sousa Tavares - ganhava as eleições legislativas intercalares com maioria absoluta, prometendo mudar o país de alto a baixo.      

Esta reviravolta política foi em boa medida resultado da austeridade resultado da intervenção do FMI em Portugal solicitada por Mário Soares, penalizando os socialistas.   

Em 1985, dois anos após o segundo pacote de resgaste do FMI, houve novo terramoto político. Cavaco Silva, um homem que reclamava o legado político de Sá Carneiro, prometeu alterar radicalmente a maneira como se fazia política em Portugal e arrancou uma vitória inesperada para o PSD.

Mas a grande surpresa eleitoral veio do Partido Renovador Democrático do ainda Presidente da República Ramalho Eanes. Na primeira vez que concorreu teve 18% dos votos e 45 deputados. O PS pediu uma maioria absoluta para governar de 43% e teve apenas 20%, o pior resultado de sempre dos socialistas até hoje.  

Também aqui os efeitos do pacote de resgate tiveram influência decisiva nos resultados eleitorais.  

Em ambas as situações, em 1979 e 1985, surgiram fenómenos políticos novos que se revelaram bem sucedidos?  

E hoje?             

Há espaço para um novo partido político mas ele tarda a surgir.  

Um partido que rompa com a política de subserviência de Portugal à Alemanha e aos seus credores por parte do actual governo.   

Um partido que saiba desmascarar os socialistas, responsabilizando-os pelo estado a que o país chegou como governantes que foram durante 17 anos da democracia portuguesa. 

Um partido que vá buscar boas ideias a todos os partidos. Também ao Bloco de Esquerda e ao PCP, designadamente em matéria de renegociação da dívida, mas saiba transigir em aspectos quantitativos, a bem da governação.      

Um partido com gente nova, fora da política, oriunda da sociedade civil, sem complexos ideológicos.        

Um partido que saiba defender um novo regime político para Portugal, sustentado numa nova constituição elaborada pelos cidadãos e submetida a referendo, como se fez na Islândia.

Quando este partido aparecer (se aparecer), vai haver um novo terramoto eleitoral em Portugal. Talvez de uma dimensão nunca vista.