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É preciso topete

Durão Barroso anti-imperialista rumo às presidenciais de 2015

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Paulo Gaião

A menos de dois anos do fim do mandato como presidente da Comissão Europeia, aí está Durão Barroso, já a pensar no seu próximo cargo, agora de regresso a Portugal como candidato a Presidente da República em 2015.

Fez o aquecimento numas tantas conferências, mostrou-se em Portugal. Tem o peso do estrangeirado que foi escolhido pelos grandes do mundo, o peso institucional de Bruxelas, agora precisava do toque irreverente contra a América e as ditaduras do mundo para ganhar  profundidade e captar eleitorado no centro-esquerda, essencial para ser eleito Presidente da República.      

No México, na Cimeira do G20, culpou a América pela crise do euro, os especuladores, os financeiros sem escrúpulos, ele que sempre foi um homem dos americanos, ele que como líder máximo desta Europa destroçada é parte do problema, ele que se demitiu praticamente das suas funções, dando rédea total a Merkel, Sarkozy, Hollande.  

Atacou os países do G20 por quererem dar lições de democracia à Europa e alguns nem a praticarem, alusão à China e à Rússia, ele que nos últimos dez anos foi um defensor do comércio total com Pequim, fechando os olhos à violação de direitos humanos na China, ele que não denunciou a dupla de bonzos Putin-Medvedev.   

Maoista na juventude, secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros no governo de Cavaco Silva, esforçando-se por brilhar mais que o ministro João de Deus Pinheiro, candidato a líder que se atravessou no caminho do sacrificado do cavaquismo Fernando Nogueira, primeiro-ministro que chegou lá no pântano guterrista mas mesmo assim ia quase perdendo para Ferro Rodrigues, presidente da Comissão Europeia quando o troféu lhe caiu do céu, perante um país ainda mais de tanga, deprimido, que mesmo assim teve forças para lhe oferecer o pior resultado de sempre nas eleições europeias de 2004. Aproveitou a ingenuidade de Santana Lopes e foi-se embora durante dez anos.

Hoje aí está novamente. Com toda a lata do mundo, anti-americano, anti-chinês, anti-russo, anti-imperialista. Com os barrosistas, sedentos de poder, a traçarem por aqui as estratégias e até Marcelo Rebelo de Sousa como lebre, a fazer tabu da sua candidatura presidencial para Durão sair da cartola. Como aconteceu com Cavaco Silva.