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É preciso topete

Álvaro: cavaleiro da indústria com lixeira a céu aberto

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Paulo Gaião

O novo cavaleiro da indústria, Álvaro Santos Pereira, anda eufórico com a nova política de reindustrialização e terá sido o principal dinamizador de um grupo de países da UE que a vai propor como nova batalha europeia.  

Mas esta é uma política assente em salários baixos, condenada ao insucesso.  

Até Marcelo Caetano, no último plano industrial da  ditadura, interrompido com o 25 de Abril, percebeu que a mais valia de uma nova política industrial dependia do aumento da massa salarial.

É uma política que tem o perigo de ser dirigista. É o Estado e são os burocratas de Bruxelas que a querem impor, de cima para baixo, às empresas privadas sedentas de apoio. Parece que estamos a cair no regime da economia planificada.    

É uma política que ameaça criar grupos económicos "amigos" das novas apostas construídas politicamente (será o novo condicionamento industrial?). Parece que no sector das redes transeuropeias e na energia (mas não foi este governo que pôs fim ao TGV e às eólicas?).

É uma política que ameaça o ambiente, como o próprio ministro Santos Pereira, embalado como está, não teve rebuço em por a nu (devem ser os elogios de Mário Soares de que era corajoso a enfrentar os manifestantes a fazerem efeito).       

Ontem defendeu em Bruxelas que é  necessário  "flexibilizar" algumas regras "fundamentalistas" sobre o ambiente, onde  a Europa "não pode ser mais papista do que o Papa em relação a outras zonas do Globo" (leia-se China) 

A nova teoria de Santos Pereira é simples: protecção do ambiente sim senhor mas desde que não prejudique a indústria.

Substituiu mesmo o velho slogan ecologista, "amiga do ambiente" por "amiga do investimento".  

Os salários baixos e falta de protecção social dos chineses já tínhamos. Faltava-nos a política de lixeira a céu aberto para justificar o crescimento económico.

É mais um ingrediente na espiral do descontentamento social.