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Expresso

Órgão de cores

Nuvem com prostitutas

Luís Monteiro

Lembram-se daquele textozinho que por aqui escrevi intitulado "O telefonema secreto entre Miguel Relvas e Mark Zuckerberg" acerca da falhada tentativa por parte do Xô Relvas de obter ilicitamente informações confidenciais sobre os utilizadores do facebook?

Pois é, parece que o Xô Relvas leu esse furo do mais elevado quilate de investigação jornalística e ficou com ideias, parece que agora quer guardar as bases de dados do Estado em servidores alojados "na nuvem", isto é, residentes em empresas privadas.

Xô Relvas, permita-me que lhe explane, em linguagem acessível e que não exija que o Xô Relvas morda a haste dos óculos de leitura, algumas razões que me ocorrem porque isso, a concretizar-se, será uma total e absurda idiotice, nem sequer digna do Xô Relvas:

  1. Com a Computação na Nuvem (utilizarei doravante o acrónimo CnN) o Estado não poupa muito dinheiro coisíssima nenhuma, vai apenas deslocar os custos do Estado para empresas privadas e os trocos que "poupar" servirão para pagar a peso de ouro as habituais "avenças" a "consultores/assessores especialistas de TIC", que serão liason officers (pomposa denominação para afilhados). Resultado? Mais gordura, ao contrário do que alegadamente pretende o Governo do Xô Relvas;
  2. A CnN exporá dados confidenciais a piratas informáticos e a outros tipos de malfeitores. Apesar de Cândida Almeida ter afirmado que em Portugal não existe corrupção (e estou certo que o Xô Relvas concordará com a directora do DCIAP) será com certeza fácil com um telefonema de alguém bem colocado (prática que o Xô Relvas absolutamente desconhece) exercer pressões para ter acesso a informação que é confidencial, desde registos fiscais a históricos médicos. E, por muito que apregoem que essa informação está encriptada, logo, inviolável, há sempre excepções à regra;
  3. Devido à sua dependência da internet, a CnN obviamente nunca poderá ter desempenhos com a mesma fiabilidade e rapidez que servidores proprietários fechados a sete chaves numa sala segura. Além disso, os dados têm sempre de viajar através de ISP (eu traduzo, Xô Relvas, são Fornecedores de Serviços de Internet) o que introduz no percurso um outro elo passível de ser comprometido. Duvida? Pergunte aos seus amigos do Sector Financeiro se algum deles confia na CnN;
  4. As empresas alegadamente privadas que alojariam os servidores da CnN seriam localizadas fisicamente em Portugal? Se tal não acontecer, os dados poderiam também "pertencer" aos países dessas empresas, ao abrigo das suas respectivas legislações nacionais; 
  5. A CnN é uma nova moda papagaiada por lobbies e subitamente os gurus/spin-doctors/talking heads acham que é cool e que é (tinha de utilizar esta palavra para satisfazer o reportório de clichés e frases feitas do Xô Relvas) um novo paradigma. Para esta eventual aplicação, simplesmente não presta.

Pesados os prós e os contras, e no caso concreto de informação tão sensível como aquela de que se trata, só lhe posso discretamente dizer: Tenha juizinho, Xô Relvas, não seja ainda mais Xô Relvas do que o Xô Relvas, não confunda computação nas nuvens com uma ordinarice qualquer e não pense que lhe estão a falar de prostitutas vestidas de anjinhas, sim, Xô Relvas? É que não há mesmo equivalência nenhuma, compreende, Xô Relvas?

 

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