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O modo do tempo

António de Castro Caeiro

Sábado

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Hoje é sábado. É Sábado de manhã. Sábado não começou de dia. O relógio diz que começou há muitas horas. Sexta vazou e o Sábado começou a encher. Mas Sábado já tinha sido antecipado como o dia D, do mês M, do ano A, como quando se vê na agenda os Sábados de um mês, a meses luz desse tempo. Como quando assentamos em Dezembro um Sábado para Abril. E mesmo sem o termos marcado na agenda, o Sábado está entalado na agenda com todos os outros dias de Abril e todos os outros dias do ano, entre uma Sexta-feira e um Domingo.

 

Tal como a página na agenda do ano, no tempo da vida este Sábado de Hoje, dia 20 de Abril de 2013, era um dia possível. Agora que "é" Sábado, quando Ontem era amanhã e amanhã será Ontem, desenrola-se como um tapete pela ponta do fim, quando vazar para regressar Domingo, que não é um qualquer, mas é Domingo, 21 de Abril de 2013.

 

O Sábado pode ter sido uma data distante, mas apontada na agenda. O Sábado de Hoje pode ter sido apenas suposto sem nele pensarmos, como os dias em que calham os Sábados todos deste ano, ao fazer um calendário de actividades ou menos ao pensar neles em bloco. Mas o Sábado de hoje começa a formar-se bem no princípio da semana, quando à Segunda-feira está bem longe, mas ao largo.

 

À Segunda-feira o Sábado está atrás de todos os dias até descer até nós. Teremos de fazer a travessia de Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta feiras para chegarmos a Sábado. E hoje, Sábado a Segunda-feira está já a descer lá ao fundo, levando troços percorridos já esquecidos, mantendo à tona ainda destroços do que foi. Sábado tem ainda viva a Sexta e Quinta, quando começou. Porque à Quinta, Sábado é já depois de amanhã. Hoje, tem ainda atrás de si, Quarta-feira e Terça-feira. O Sábado está a desenrolar-se entre a semana toda que passou e o Domingo que aí vem com Segunda da próxima semana já a espreitar-nos e depois a Terça, a Quarta, a Quinta, a Sexta e o Sábado da próxima semana.

 

Estamos esticados entre esquinas que dobram as semanas, passadas e próximas, boiamos estendidos entre a semana passada e a anterior, há duas ou três semanas ou há um ano e a próxima semana, ou a que se lhe segue, o mês que vem ou o ano que vem.

 

Mas hoje é Sábado é dia de fazer o que se faz ao Sábado. Por ser Sábado não se faz o que se faz nos outros dias. Nem sequer ao Domingo se faz o que se faz ao Sábado. E mesmo que façamos exactamente o mesmo que fazemos aos dias de semana, por ser Sábado, nada é feito da mesma maneira, porque todos os minutos de um Sábado só podem ser minutos com conteúdos de vida ao Sábado. Mesmo que seja um dia de trabalho é Sábado. Diz-se que se trabalha ao Sábado de um modo diferente de como se diz que se trabalha a qualquer dia de semana, como se não fosse suposto ou se estivesse a fazer o que não se devia.

 

O Sábado é dia compras, de desporto, de ir ver o rio, de ir ver o mar, de ir ao campo, de ir almoçar com alguém. Na infância era dia de tardes inteiras de televisão. Outrora, era o dia depois de Sexta e era todo ele vivido à espera da noite.

 

A noite de Sábado é diferente de todas as noites. É Sábado à noite. Sábado à noite era dia de saídas à noite, de distracção de si e de diversão dispersa pelas horas que passavam tão rápidas que se não nos precavermos acordamos de repente ao Domingo. Sábado à noite pode ser o Sábado para os outros que saem, para as possibilidade todas que estão a acontecer e o nada que fazer que é o conteúdo das nossas vidas. A impossibilidade é mais triste quando nos acenam com possibilidades e possibilidades e possibilidades.

 

E agora que é Sábado de madrugada, de manhã, de tarde, de noite, quando quer que seja que for lida esta crónica que será, é e terá sido feito dele? Que é de mim, será e foi ao Sábado. Qual é o seu tom? Qual é o seu modo? Como me metamorfoseia? Que clima produz? Que atmosfera cria?

 

Há uma fragrância suave a desocupação do tempo que me leva a perguntar que faço da vida ao ocupar-me de tudo menos dela.

O sábado pode saber a melancolia. O Sábado pode ser euforia.

 

Mas este Sábado pode ser anónimo e ser como todos os dias que são todos iguais e que têm de ser todos atravessados, embora uns sejam mais baços do que outros, como a explosão de imagens simétricas a diminuir com a distância que provocamos ao pôr dois espelhos à frente um do outro.