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Keynesiano, graças a Deus

O que Relvas não percebe

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

O ministro Miguel Relvas sente-se certamente injustiçado. No Clube dos Pensadores teve dificuldade em expressar os seus pensamentos por um grupo de manifestantes o ter interrompido, que além de palavras que não cabem neste local, cantaram "Grândola Vila Morena".

O ministro até tentou acompanhar, mas a situação tornou-se um bocadinho patética porque o ministro deve ter tido péssima nota na cadeira de Canto Coral, além de não saber a letra da música que tentou trautear.

A cena seguinte foi no ISCTE. Estudantes com cartazes e palavras de ordem evitaram mesmo que o ministro nos brindasse de novo com os seus pensamentos sobre o futuro do jornalismo, que ele tanto acarinha. E o ministro teve de retirar, entre empurrões e a proteção dos seus guarda-costas, por uma porta lateral, sem honra nem glória.

O ministro Relvas é um democrata e defende que todos devem poder exprimir as suas opiniões. Infelizmente, o ministro Relvas não percebe o que está em jogo.

E o que está em jogo é que as pessoas estão fartas desta austeridade, cujo fim não vislumbram e cujos objetivos não percebem.

Mas estão sobretudo fartas, fartissimas, de políticos que não respeitam e a quem não reconhecem um pingo de credibilidade.

Como bem disse o ministro Relvas, este Governo será julgado em 2015. Mas o que o ministro Relvas não percebe é que ele próprio já está há muito julgado. O facto de não o deixarem falar em público só mostra que o ministro Relvas não percebe isso mesmo: que foi julgado e condenado. Sem apelo nem agravo.