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Expresso

Keynesiano, graças a Deus

O Governo em versão barata de Luís de Matos

O Governo impôs esta quinta-feira que 50% dos subsídios de férias e de Natal do próximo ano sejam pagos em duodécimos no setor privado. Os restantes 50% de ambos os subsídios continuarão a ser pagos nas datas e nos termos já previstos legalmente.

Quando se chega ao ponto de o Governo determinar como devem as empresas gerir os seus fluxos de caixa já estamos para lá de Bagdad em matéria de intromissão do Estado na vida do setor privado.

Mas como é evidente, o Governo não está preocupado com as empresas ou com as famílias: está preocupado consigo e com os efeitos que terão nas folhas salariais o brutal aumento de impostos que está contido no Orçamento do Estado para 2013.  

A revolta que daí decorreria seria tanta e a indignação tamanha que o Executivo resolveu fazer uma esperteza saloia. Com este pagamento de 50% dos subsídios de férias e de Natal ao longo dos 12 meses disfarça a enorme quebra salarial que aí vem devido ao aumento dos impostos - e prepara, ao mesmo tempo, o fim definitivo daqueles dois subsídios.

É a tentativa de, por um truque barato de circo, impor a ilusão de que afinal a subida dos impostos não é assim tão feroz.

O problema é que, no final do ano, feitas as contas, os contribuintes vão perder cerca de 30% do seu rendimento por via fiscal. E contra isto não há ilusionismo barato que resista.

Podiam ter contratado Luís de Matos, o nosso mais famoso ilusionista. Ele certamente faria desaparecer muito melhor os subsídios de férias e de Natal que o Governo nos vai levar e no final ainda batíamos palmas.