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Expresso

Keynesiano, graças a Deus

Governo pode abrir o champanhe

Nicolau Santos

Nicolau Santos

Diretor-Adjunto

O Governo pode abrir o champanhe. O crescimento de 1,1% da economia portuguesa no segundo trimestre do ano não só interrompeu uma sucessão de quebras consecutivas desde o terceiro trimestre de 2010, como foi quase o dobro do que os analistas previam (0,6%).

A dimensão do crescimento é a grande surpresa, mas não o fim da recessão, Vários sinais se vinham acumulando nesse sentido: criação de postos de trabalho, melhoria do índice de confiança dos consumidores, aumento da produção industrial.  

Mas são as exportações que voltam a ser o grande motor desta recuperação, como resultado quer da melhoria da conjuntura europeia, quer do maior número de empresas nacionais que se viraram para o exterior para conseguirem sobreviver.

As boas notícias não se ficam por aqui. Se nos dois últimos trimestres do ano se continuarem a verificar crescimentos positivos, então a recessão prevista para esta ano, que já tinha sido corrigida de 2,3% para 2% pelo Banco de Portugal, pode ainda ficar abaixo deste valor, deixando claramente em aberto a possibilidade de em 2014 a economia portuguesa voltar a registar um crescimento anual positivo.

É claro que ainda há riscos que ameaçam este desempenho. O primeiro tem a ver com a conjuntura externa, que pode voltar a deteriorar-se. O segundo está ligado ao Orçamento do Estado para 2014, que será ainda bastante restritivo, o que travará o crescimento económico.

Contudo, em termos globais, tudo indica que a recessão acabou e que Portugal está de volta ao crescimento. Não será o país que tínhamos antes de 2008. Mas sempre será melhor do que este que tivemos nos últimos três anos. E a possibilidade do PSD voltar a ganhar as eleições de 2015 deixa agora de ser uma miragem.