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Mário Soares, o FMI e a economia: algumas verdades

Uma das mentiras mais repetidas pela direita nos últimos anos e que tem vindo a fazer caminho é que os socialistas levam o país à rutura de pagamentos e que vem depois o centro-direita colocar a casa em ordem. Ora se isso é claramente verdade em 2011, não o é em 1977 e 1983, anos em que os governos eram liderados por Mário Soares – que foi, aliás, o primeiro-ministro que voltou a abrir a economia portuguesa à iniciativa privada em 1984, depois da sua quase total nacionalização em 1975.

Desde 1974, Portugal pediu por três vezes ajuda internacional: em 1977 e 1983 ao Fundo Monetário Internacional e em 2011 a uma troika, integrando a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu.

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  • Soares é fixe: edição especial e gratuita do Expresso Diário para guardar

    Henrique Monteiro escreve sobre o maior homem do tempo dele em Portugal. Ricardo Costa antecipa o guia para ler Mário Soares no Facebook. Pedro Santos Guerreiro explica como somos livres para dizer que nos dói perder Soares. António Valdemar, que foi aluno de Mário Soares - com o qual privou durante décadas -, deixa uma testemunho inédito. Joaquim Vieira, biógrafo, elabora sobre a coragem de Soares. Na opinião: Daniel Oliveira, João Semedo, Vítor Ramalho e Henrique Raposo. Soares é fixe

  • O drama humano de muitos dos chamados “retornados” não nos pode levar a ignorar as condições em que a descolonização foi feita. Não podemos torcer a história para mostrarmos compreensão pelos dramas humanos dos seus atores involuntários. Não era possível manter as tropas que se revoltaram contra guerra a garantir um processo longo de transição contra a vontade dos movimentos de libertação e dos próprios militares portugueses. Muito menos isso poderia ser garantido por um poder frágil e ainda sem legitimidade democrática. A revolução teria soçobrado à continuação da guerra e a democracia teria morrido ainda antes de nascer. Soares interpretou, em conjunto com a quase totalidade dos agentes políticos do pós-25 de abril, a vontade da maioria dos portugueses, pondo fim a uma guerra em defesa de um império anacrónico. Se a descolonização tivesse sido feita 13 anos antes, em paz e com um regime sólido, teria sido diferente. Só que não é por acaso que isso não aconteceu: a existência das colónias era condição de sobrevivência da ditadura assim como o fim da guerra e do colonialismo foi condição para a emergência da democracia. Com as tropas desmobilizadas em África, um vazio de poder na metrópole, a tentativa de criar um novo poder legítimo no país e a intervenção direta dos beligerantes da guerra fria na tomada de poder nas ex-colónias, Portugal fez, fora de tempo e sozinho, o melhor que podia nas condições que o Estado Novo lhe deixou