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A Georgieva, a amiga dela, o czar e o outro

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As Nações Unidas resolveram este ano abrir um concurso para secretário-geral da organização. Uma coisa aberta, transparente, com os candidatos a serem avaliados e a nota a ser conhecida a cada avaliação. Dava-se ainda oportunidade aos candidatos de corrigir a sua prestação, caso num dia as coisas lhes corressem mal. E assim foram determinadas cinco votações.

Mas tendo aberto este processo, por trás estava a orientação de que quem deveria suceder ao inexistente Ban Ki-Moon deveria ser uma mulher e de um país de leste. Estava-se mesmo a ver que com um processo transparente mas onde se queria obter um resultado escrito à partida tudo ia acabar numa grande trapalhada.

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  • Como muitos esperavam, o caminho de Guterres para a liderança da ONU estava destinado a embater no pior da “realpolitik”. Definiram-se regras, foram agendados debates, fizeram-se votações. Chegado o fim do processo, entra uma nova candidata, que não teve de passar por nada disto. É verdade que isto já aconteceu antes, como bem sabe Boutros Ghali, que teve de ceder o seu lugar a Koffi Annan quando o processo já estava no Conselho de Segurança. Nem a ONU é uma democracia, nem os seus procedimentos são totalmente previsíveis. Estamos no terreno da diplomacia. Mas, desta vez, houve uma promessa de transparência e as provas públicas, debates e avaliações pretendiam melhorar a desgastada imagem das Nações Unidas. O escrutínio, neste tempo de informação global, é outro. E a golpada alemã, que só será bem sucedida se contar com o apoio de americanos e russos, terá efeitos um pouco mais nefastos. Pior do que não ter regras e fingir que se tem e não as cumprir. Mas nada está perdido para Guterres: se estivesse, Georgieva não seria, em mais uma absurda originalidade política da Europa, uma comissária com licença sem vencimento