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Geoenergia

Chipre detém metade das reservas de gás do Mediterrâneo Oriental

Chipre possui metade das potenciais reservas de gás natural da bacia do Levante (Chipre-Israel-Líbano-Egito). Segundo a US Geological Survey, do total de 120 triliões de pés cúbicos (tcf) daquela fonte energética existente no mediterrâneo oriental, cerca de 60 tcf localizam-se no off-shore cipriota. E não esquecer também o gás e petróleo gregos, já analisados neste blogue.

Se a este factor juntarmos a excelente posição geoestratégica da ilha, quase num ponto equidistante entre a costa líbano-israelita, turca, egípcia e grega, verifica-se o seu visível potencial de se tornar num 'hub' estratégico não só para a produção de gás natural, mas também para a sua expedição via marítima, por gasoduto ou em estado liquefeito por navio.

Com efeito, um dos projectos em cima da mesa é a construção de uma infra-estrutura de transporte do gás natural que ligue Chipre à Turquia, à Grécia ou à Itália para colocar o combustível no mercado europeu. Desta forma, conseguir-se-ia diversificar de forma significativa os canais de fornecimento de gás natural, aumentando a segurança energética europeia, diminuindo a dependência excessiva da Rússia.

Por tudo isso, não é de estranhar a disponibilidade da Gazprom para resgatar Chipre em troca da exclusividade dos direitos de exploração do gás e petróleo, face ao 'tiro no pé' geopolítico que a Europa, comandada pela Alemanha e pelo FMI, acabou de dar, com o inédito confisco de uma percentagem dos depósitos bancários existentes nos bancos cipriotas.

Se a Gazprom concretizar esse desígnio, e se conseguir adquirir a maior empresa de gás grega, a Depa, a Alemanha irá colocar nas mãos da Rússia o acesso logístico e económico ao mediterrâneo, um prémio há muito perseguido por aquela potência. E ainda por cima, no campo estratégico onde tem a Europa (e a potência germânica) na mão: a energia.

Mas há mais. Devido ao conflito político entre a Grécia e a Turquia sobre o reconhecimento internacional da parte otomana da ilha ou da sua integração na grega, verifica-se que a questão energética ainda se torna mais complexa e delicada. Por isso, de um ponto de vista europeu, a abordagem alemã face à questão financeira cipriota é claramente incompreensível e ilógica.

A ver qual será a reacção dos EUA face à evolução da dinâmica do jogo geopolítico da energia no Levante.