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Expresso

A Europa desalinhada

Terroristas ou testemunhas?

Trabalhadores de uma ONG a prestar assistência no Afeganistão são suspeitos de ter colaborado numa conspiração dos talibãs.

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As autoridades afegãs refutaram rumores segundo os quais três italianos que trabalhavam para a ONG Emergency, que presta assistência médica em zonas de guerra internacionais, tinham confessado ter participado numa conspiração dos talibãs para assassinar o governador da cidade de Lashkar Gah, no sul do país.

No entanto, os três homens continuam presos. Os Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa de Itália, que anteriormente tinham acusado a organização de "prejudicar a imagem de Itália" por tratar insurrectos talibãs, além de civis, ainda terá de pedir a sua libertação.

O editorial do diário de Roma "Il Manifesto" é particularmente duro. "O ataque à Emergency é uma consequência da Operação Mushtarak", lançada em Fevereiro pela Força Internacional de Assistência e Segurança (ISAF). A preparação para a guerra exige a eliminação de todas as testemunhas incómodas. Os hospitais da Emergency são postos de observação que aborrecem aqueles que lançam bombas e matam", escreve este diário.

Na véspera, no sul do Afeganistão, soldados da NATO abriram fogo contra um autocarro, matando quarto civis, entre os quais uma mulher e uma criança. Entretanto, a ONG italiana entregou o controlo do hospital onde os três trabalhavam à polícia afegã. "Se o que eles queriam era impedir-nos de trabalhar ali, foram bem sucedidos", declarou um porta-voz da Emergency ao La Repubblica.