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Expresso

A Europa desalinhada

Riscos são altos no julgamento de Timochenko

O processo do antigo primeiro ministro é retomado a 27 de setembro, três dias depois da visita do presidente Ianoukovitch à Rússia. Entre Kiev e Moscovo existe um jogo estratégico, no qual a Europa também irá ter um papel a desempenhar.

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No passado dia 5 de agosto, Rodion Kireev [presidente do Tribunal de Kiev] ordenou a detenção do ex-primeiro ministro ucraniano, que ficou preso na cela 242 da prisão de Lukhanovka, em Kiev, o que provocou a ira dos simpatizantes e de numerosos responsáveis políticos mundiais. Ioulia Timochenko, que entende ser a encarnação pós-moderna da apaixonada Joana d'Arc, ou de Berehynia, a maravilhosa divindade e mãe mítica da Ucrânia, transformou o processo num reality show.  O processo de Timochenko, político, poderia ser considerado uma triste confirmação do progressivo declínio da democracia na Ucrânia. Mas o processo é muito mais do que isso. Na fronteira oriental da União Europeia desenrola-se uma outra batalha estratégica: o futuro do conjunto da Europa oriental. A Ucrânia, um país com cerca de 50 milhões de habitantes, poderá ficar sob controlo da Rússia, ou na esfera de influência da UE, facto que irá determinar o destino dos outros pequenos Estados da Europa oriental - Moldávia, Bielorrússia, ou ainda Geórgia.  Este processo, cujo veredicto (7 anos de prisão efetiva), segundo o advogado de Timochenko, já está decidido [a audiência é retomada a 27 de setembro], é um quebra-cabelas para a UE e para a Rússia.