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Expresso

A Europa desalinhada

O membro fantasma da UE vai às urnas

No domingo, a República Turca de Chipre do Norte elege o seu Presidente. Sem ser reconhecida pela comunidade internacional e à espera de um acordo com a parte grega da ilha, tornou-se o "El Dorado" do branqueamento de dinheiro, escreve a revista alemã "Der Spiegel".

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O Presidente aproxima-se em passo rápido. O seu olhar diz tudo: não tenho tempo, tenho trabalho até aos cabelos. Está à beira de dissolver a sua república. E para realizar este plano, precisa de convencer o seu eleitorado a 18 de Abril. Mehmet Ali Talat é o "Cumhurbaskani" da República Turca de Chipre do Norte, o mais alto responsável do Estado mais isolado da Europa.

A rua que conduz ao seu palácio, no norte de Nicosia, estende-se ao longo de arame farpado e ruínas. O correio e as chamadas telefónicas são obrigados a passar pela Turquia. Não há ligações aéreas com outros pontos do continente. De resto, do ponto de vista da comunidade internacional, a república de Talat, fundada em 1983, não existe [desde a invasão turca de 1974, Chipre está dividido entre o Sul, de maioria grega, e o Norte, de maioria turca]. Ou antes, não devia existir. Até hoje, só Ancara ali tem um embaixador. Os representantes dos outros países estão a sul da linha de demarcação. Em território da UE, na República de Chipre.

Território aberto 24 horas por dia

Em 2004, os turcos da ilha aprovaram o projecto de federação do Secretário-Geral da ONU dessa altura, Kofi Annan. Mas os cipriotas gregos recusaram. Instigados por Atenas, foi-lhes prometida uma outra solução: entrarem na UE. Sem terem de se unir com os seus vizinhos turcófonos. Estes, tornaram-se os filhos abandonados da Europa. "De jure", há seis anos que o Chipre do Norte também faz parte da UE, mas na realidade, ali, o direito comunitário está "suspenso".

É também por essa razão que o Norte da ilha atrai todos quantos procura qualquer coisa de especial: um intermediário duvidoso ou um endereço postal, terrenos baratos com vista para o mar, casas de jogo abertas até de madrugada. O Norte é o reino do 'aberto 24 horas': mal as últimas fichas são recolhidas nos casinos, mal soa a primeira chamada para a oração, caravanas de electricistas, canalizadores e pedreiros põem-se em marcha. Em direcção à fronteira, e à UE.