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Expresso

A Europa desalinhada

Kaczynski, o enterro da unidade nacional

Enquanto a Polónia se prepara para o adeus às 97 vítimas do desastre de 10 de Abril em Smolensk, um debate acalorado estalou na imprensa. Deve o Presidente Lech Kaczynski ser enterrado, no domingo, no panteão nacional, a catedral de Wawel em Cracóvia?

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A catedral de Wawel em Cracóvia, capital da Polónia medieval, é lugar de sepultura de reis, de heróis nacionais e de santos. O anúncio feito pelo arcebispo de Cracóvia sobre o enterro do Presidente Lech Kaczynski e sua esposa Maria no panteão nacional fez correr muita tinta. Numa carta aberta publicada no "Gazeta Wyborcza", Andrzej Wajda, realizador de um filme sobre o massacre de Katyn [em 1940], local que o falecido Presidente deveria visitar no dia da sua morte, insiste que, embora Lech Kaczynski fosse "um bom e modesto homem, Wawel não é o lugar apropriado para ele".

Estas palavras provocaram uma controvérsia que ressoará por muito tempo depois da colocação do caixão com os restos mortais do Presidente debaixo da cripta de Wawel. O debate não se confina apenas à comunicação social. Nos últimos dias, diversos grupos de apoiantes e opositores dessa decisão - que o diário liberal "Gazeta Wyborcza" descreve descreve como "precipitada e emocional" - confrontaram-se nas ruas de Cracóvia e de Varsóvia.

Os que são contra argumentam que a actuação de Kaczynski ao serviço do seu país não se pode comparar à dos reis polacos ou à do marechal Pi?sudski, pai da independência nacional, em 1918, ali enterrados. "Uma morte trágica transformou o Presidente num herói? É Kaczynski outro Pi?sudski, vencedor de uma das batalhas mais cruciais da história polaca e europeia [a Batalha de Varsóvia de 1920, contra os soviéticos]?", pergunta o sociólogo Ireneusz Krzeminski nas páginas do "Rzeczpospolita".