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Expresso

A Europa desalinhada

Deixar a Grécia, e depois a Irlanda, entrar em incumprimento

Os rumores crescentes sobre o incumprimento da Grécia não fizeram os mercados entrar em queda livre: estimularam-nos. Segundo o economista irlandês David McWilliams, esse facto indica que a ansiedade e o nervosismo quanto ao futuro da zona euro são piores do que o incumprimento. 

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Reparou em alguma coisa estranha no comportamento dos mercados financeiros, nos últimos dois dias? Na realidade, as bolsas europeias recuperaram perante o rumor de que seria permitido à Grécia um incumprimento "parcial". Pensemos melhor no assunto: afinal, a posição "oficial" da elite política irlandesa e europeia é que qualquer incumprimento, seja em que matéria for e seja por parte de quem for, seria uma tragédia e originaria enormes fugas de capitais e um massacre financeiro colossal. Se isso é verdade, por que motivo deram os mercados sinais exatamente opostos, nos dois últimos dias? A mais recente flutuação do mercado sugere que, de facto, o incumprimento acalma os ânimos dos investidores. Parece fazer sentido encarar a realidade de que um país como a Grécia não tem dinheiro e não pode, portanto, pagar. Se impedirmos que este processo capitalista básico aconteça (pelo qual os investidores pagam pelos seus erros), causamos o pânico em todo o sistema. Observemos as perceções de risco do sistema bancário europeu, nas últimas semanas: dispararam em flecha. Curiosamente, no período anterior à crise do Lehman, a perceção de risco aumentou imenso. Depois da falência e queda do Lehman, estabilizou. É importante ver o que aconteceu a seguir à falência do Lehman. As coisas acalmaram e, mesmo durante as várias crises na Grécia, na Irlanda e em Portugal, no ano passado, havia o entendimento de que as coisas se resolveriam.