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Intriga de uma ideia sem amanhã

Eleições legislativas antecipadas no mesmo dia das eleições europeias, portanto em maio de 2019. Já ouviu falar disso? Talvez tenha lido, os jornais falaram dessa doce intriga e não era piada de 1 de abril, até atribuíram a ideia ao Presidente, ao que parece mal. Mas não vai haver essa coincidência eleitoral, se não ouviu falar nem se apoquente, é para esquecer.

Não vai acontecer por duas razões, que valem para quem quer que tenha apadrinhado a ideia. Primeira: a coincidência de eleições não é regra. A lei eleitoral define eleições europeias em maio ou junho de cinco em cinco anos, em datas fixadas pelas instituições europeias, mas as eleições nacionais, a não haver queda do governo e marcação de eleições antecipadas, são no outono e de quatro em quatro anos. Por isso, para haver conjugação é preciso que o parlamento seja dissolvido para se anteciparem as eleições parlamentares. Aparentemente, o pretexto misterioso para tal manobra seria preparar melhor o orçamento e evitar que o novo governo se atrase. Ora, é estranho que essa preparação apressada não comovesse ninguém nas eleições anteriores (e o orçamento não pode ficar já com trabalhos adiantados para o governo seguinte, que aliás provavelmente terá o mesmo primeiro-ministro?). Para mais, a pergunta seria para quê esta alteração neste momento, considerando que a regra, ficando igual, determinará que só daqui a vinte anos se repete a conjugação de eleições europeias e parlamentares no mesmo ano – ou seja, se é mesmo preciso alterar a regra, deve-se mudar a Constituição. O que ninguém proporá, porque toda esta conversa é uma conveniência, não é uma razão.

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