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Do outro mundo

Há miséria, roubos, corrupção? Ao menos proiba-se as mulheres de usarem minisaia

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Luis M. Faria

Os casos de corrupção surgem em jato, ameaçando os políticos no poder. Sobe inexoravelmente o custo de vida, com gasolina e outros bens essenciais cada vez mais inacessíveis ao cidadão médio. O escândalo e o caos andam de mãos dadas. Perante este cenário, que faz o governo? Ataca as mini-saias. Parece bizarro, mas é o que sucede na Indonésia, como aliás em vários outros países. A moralidade, já em tempos dizia um sábio, é a arma dos patifes. Na Indonésia, maior país islâmico do mundo, essa jogada tem eficácia garantida. O presidente Yudhoyono acaba de encomendar ao seu ministro dos assuntos religiosos, um tal Suryadharma, uma campanha anti-pornografia que se pretende muito ampla. O objectivo final, tão nobre de aspeto como impossível, é extinguir finalmente no país o deplorado flagelo. A incluir na definição de pornografia fica tudo o que sejam roupas (femininas, claro) acima do joelho. Porque todos sabemos, diz um porta-voz parlamentar, aquilo que as roupas provocadoras levam os homens a fazer. São culpa das mulheres, conclui-se, os milhares de violações que acontecem no arquipélago. O dito ministério por acaso é o mais rico do governo, e enfrenta ele próprio um escândalo com o desaparecimento de milhões de dólares referentes aos juros do dinheiro adiantado por candidatos à peregrinação a Meca. Mas a autoridade do ministro não terá ficado comprometida. Afinal, o que são uns milhões entre fiéis de pureza segura? Desde que ninguém faça a viagem em mini-saia...