Siga-nos

Perfil

Expresso

Do outro mundo

Executivos dum grande banco falido riam-se a combinar quanto dinheiro iam pedir (e jamais devolver) ao Estado

Luis M. Faria

Se alguma dúvida ainda restasse de que os banqueiros são gente divertida (e sempre animados pelas melhores intenções) agora podemos ter a certeza absoluta, graças a uma conversa entre dois altos executivos bancários irlandeses.

A conversa foi gravada em 2008, em vésperas de o Governo meter milhares de milhões de euros no Anglo-Irish Bank, uma instituição falida - o BPN de lá. Um dos executivos pergunta ao outro como chegou ao numero de sete mil milhões como a soma correcta para pedir ao Estado. O outro ri e diz que a tirou do rabo.

Mais a sério, explica que inicialmente não convém pedir muito (!). Melhor deixar que o financiamento pelo Estado vá crescendo discretamente, sempre usando o argumento de que deixar o banco afundar-se seria pior para toda a gente.

Acima de tudo, sugere o executivo (rindo mais, juntamente com o seu colega) não se pode deixar os contribuintes perceberem que nunca vão recuperar o que é deles. A cada nova solicitação de fundos, tem de se explicar que é para o cidadão comum proteger "o seu dinheiro".

Com um pouco de sorte, acrescentam os executivos, o banco ainda acaba nacionalizado e eles dois conservam os seus lugares. 

Ao todo, o Estado irlandês já investiu 30 mil milhões de euros, só naquele banco. Estas novas revelações, surgidas no diario Irish Independent, podem vir a ter consequências.