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Do outro mundo

Luis M. Faria

'Caixas de bebés', onde se abandonam recém-nascidos, estão a crescer na Europa

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Já havia os bancos de hospital, os bancos de tempo, os bancos propriamente ditos. Agora há os bancos de bebés, também alcunhados caixas. Uma espécie de incubadoras externas onde se depositam recém-nascidos para outras pessoas ficarem com eles.

Ao contrário dos outros bancos, aqui o depositante não se identifica; o seu objetivo é precisamente ficar anónima (quase sempre é uma ela).

Os bancos ficam geralmente num hospital, uma igreja ou outra instituição pública. A mãe deposita-os do lado de fora, soa um alarme, e alguém lá dentro vai logo recolhê-lo.   

Quando se tem um bebé mas faltam condições - financeiras, familiares, emocionais ou outras - para o criar e educar, este tipo de solução pode ser uma resposta.

Comité das Nações Unidas discorda

É a resposta que nos EUA e um pouco por toda a Europa, sobretudo a Leste, estão a dar grupos de natureza ainda não muito definida, mas que se julga terem ligações à Igreja, pelo menos nalguns casos.

Só na Alemanha já existem oitenta desses bancos. Na Bélgica, Hungria, Lituânia, Polónia (e até em Portugal, segundo Kevin Browne, da universidade de Nottingham) há mais uns quantos. Ao todo são já umas centenas. A crise tem-nos feito multiplicarem-se. Aliás, também do outro lado do Atlântico, nos EUA.

Parece prático. Mas há quem não concorde. E um dos desmancha-prazeres é um organismo das Nações Unidas: o comité para a proteção dos direitos da criança.

Lembra esse comité, brandindo a convenção internacional homónima, que as crianças têm direito à identidade. O que implica saber quem são o pai e a mãe.

"Com boa vontade, tudo se resolve" 

A lei varia conforme os países. Nalguns o abandono à nascença à crime, outros só se causar perigo à saúde da criança. 

Para os defensores dos bancos, o importante é que os bebés nasçam e fiquem em segurança. O resto vem depois. É bom conhecer os pais, mas poder nascer e viver uma vida inteira é mais importante. Os bancos de bebés são uma forma de lutar contra o aborto.

Conforme disse um eurodeputado da direita cristã ao Guardian, "o essencial é proteger a vida das crianças em situações extremas. Todos os outros problemas podem ser resolvidos com boa vontade, desde que a criança esteja viva".

"Não é um comité das Nações Unidas que vai decidir o que fazemos para ajudar os nascituros e os que já nasceram", acrescenta o eurodeputado.