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Dias Úteis

Entrevista para o Conselho da Diáspora

Pedro Almeida Cabral

Um dia antes da véspera de Natal, perto de data abençoada, como convém, o Conselho da Diáspora Portuguesa reuniu-se pela primeira vez. Foi em Cascais e a reunião contou com 52 conselheiros de 15 países e quatro continentes. O Conselho tem o alto patrocínio do Presidente da República. Mas quem são estes conselheiros? São "portugueses influentes" a quem se pede que trabalhem "em rede" para "reforçar a reputação de Portugal". O encontro foi fecundo. Muitas das intervenções chamaram a atenção para uma realidade que nunca ninguém se tinha apercebido. É o exemplo deste extraordinário pensamento de um conselheiro devidamente identificado: "o país tem de ser promovido porque não é muito conhecido no estrangeiro". Num rigoroso exclusivo, tivemos acesso às entrevistas de preparação deste encontro, que ajudam a perceber como esta iniciativa é fundamental para o país.    

- Muito obrigado por ter aceite o nosso convite para participar no primeiro Encontro do Conselho da Diáspora Portuguesa. Só queria confirmar uns detalhes consigo.

- Mas eu achava que era um encontro de emigrantes relacionado com a emigração. Pensava que a palavra diáspora só se aplicava à dispersão do povo judeu.

- Meu caro, já deve estar fora há muito tempo! Emigração já não se usa. Diáspora é muito mais elegante. Veja a diferença que existe entre "ter que emigrar" ou "partir para fazer diáspora". Vê-se logo, não é? Infelizmente, não há nada de semelhante para os emigrantes, coitados. Mas sabe como é difícil fazer coisas novas com os cortes orçamentais, etc. Só precisamos de confirmar uns dados. Tenho aqui indicado que é o Mordomo-Mor dos Jardins dos Palácios da Rainha de Inglaterra.

- Bem, eu trato apenas trato de uns canteiros de um dos jardins a cada 15 dias. Acho que esse título é capaz de ser exagerado...

- Exagerado? Nada disso. Você é um português de excelência! Mais do que qualificado para participar na nossa reunião e dar o seu contributo. Olhe o seu título vai ser Mordomo-Mor dos Jardins dos Palácios da Rainha de Inglaterra e Supervisor dos Canteiros. O objetivo da nossa reunião é ouvir os portugueses que se tenham destacado nos países para onde emigraram, perdão, para onde foram fazer diáspora. Precisava que me confirmasse mais um dado. Você é bastante influente, não é?

- Acho que não...

- Não? Claro que é! Há alguém que pode os canteiros com a sua mestria? Não! Não há ninguém que perceba tanto de canteiros na Europa Ocidental. Olhe, vou acrescentar um subtítulo: Especialista Mundial em Poda de Canteiros. Excelente. Vamos prosseguir. Um dos pontos em discussão é a rede dos portugueses na diáspora. Sente-se preparado para fazer parte da rede e partilhar as suas experiências com Passos Coelho ou Paulo Portas?

- Mas eles vivem em Portugal e não emigraram!

- Pois não. Mas têm muita experiência em proporcionar vida em diáspora a milhares de portugueses. Com a sua opinião e a opinião dos outros conselheiros poderão continuar a fazer com que mais portugueses partam para a diáspora e tenham uma vida excitante e cheia de oportunidades.

- Bom, farei o meu melhor.

- Finalmente, pedíamos-lhe que contribuísse para melhorar a imagem de Portugal, divulgando tudo o que Portugal tem de bom: azeite, vinho e fraudes bancárias impunes.

- Ah, não se preocupe. A imagem de Portugal não precisa de mais divulgação. Toda a gente sabe que é um país fantástico com preços muito baixos, salários mais baixos ainda e uma paixão enorme pela civilização alemã. Em tempos era a costa ocidental da Europa. Mas agora é mesmo a costa ocidental da Renânia alemã.

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