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Expresso

Contra-semântica

Onde estão os trabalhadores?

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É mais do que a desvalorização do fator trabalho pela via liberal caduca da flexibilização das leis que dignificam um Estado.

É ouvirmos o discurso do poder e vermos os números avassaladores do desemprego, da falsa criação de emprego, e darmos por nós a descobrir que em Portugal, no século XXI, a categoria trabalhador não existe.

Existe a categoria empresa, como notou bem Pacheco Pereira, mas paradoxalmente a componente humana, nós, quem dá sentido a um país e a si próprio com o que faz, desapareceu.

A palavra do poder diz-nos valeu a pena.

Diz-nos isso à conta da criação (com os critérios conhecidos) de 171 mil empregos entre Janeiro de 2013 e Agosto de 2014.

Valeu a pena?

Como não somos um microscópio, sabemos que uma economia que bate no chão, não saltita para sair do chão.

Sabemos que o que caracteriza o Portugal de Passos e Portas é a destruição de emprego e não a criação de emprego.

Concretamente, sempre citando números de empregos destruídos, em Setembro foram 4 mil, em Outubro foram 20 mil, em Novembro foram 3mil, em Dezembro foram 14 mil, em Janeiro foram 7 mil, em Fevereiro foram 11 mil. 

Isto apesar do emprego subsidiado, das fabulosas taxas de juro, como bem referiu esta semana Pedro Nuno Santos, da depreciação do Euro, do preço do petróleo.

Sim, entre Janeiro de 2013 e Agosto de 2014 foram criados 171 mil empregos, dizem-nos.

Sim, entre Agosto de 2014 e Fevereiro de 2015 foram destruídos 58 mil, não nos dizem.

O saldo é este: desde Junho de 2011, foram destruídos 305 mil empregos.

Nas entrelinhas, silenciosa, está a espoliação dos trabalhadores de recibos verdes. São dezenas de milhares com remunerações vergonhosas e sem direitos laborais. Para vergonha maior, são um dos grupos mais espoliados pelo Estado, essa novíssima entidade que fez desaparecer os trabalhadores.

Valeu a pena?