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Expresso

Contra-semântica

Crato, essa revolução cultural

Há quem faça cornos a um deputado e se demita. Há quem os faça aos professores e continue esplendoroso em funções.

O ministro da educação veio fazer a revolução cultural sentado no mundo laranja. O ataque à escola pública, esse elevador social que Abril lançou, começou cedo. Em tempos de vender o que é de todos, de interesse estratégico, mesmo se dando lucro (caso dos CTT), a escola pública vai sendo esmagada a favor do colégio privado.

Desinvestindo como jamais no ensino, aposta-se em maus rankings, evidencia-se perfidamente que a escola pública vai mal, exige-se dos professores que sejam tudo os que os restantes profissionais desaparecidos eram e fala-se sem pudor em pagar aos papás e mamãs que o ensino privado mesmo onde exista oferta pública. 

O desastre da abertura do ano letivo dá jeito a quem quer que a escola pública surja mal no retrato. Os resultados da contratação inicial saíram com uma semana de atraso. O dia era 9 de Setembro. Não foram divulgados prazos nem as etapas de contratação, baralhando a capacidade das escolas de se prepararem para o ano letivo. De trapalhada em trapalhada, chegámos ao erro indesculpável da fórmula da ordenação dos candidatos.

Hoje é dia 11 de Outubro, as histórias de vida de professoras e professores tratados como lixo descartável ora a norte ora a sul, como que vidas que pertencem ao Estado, são conhecidas.

Há 1300 professores por colocar, 300 escolas ainda à espera de professores, 5000 funcionários em falta nas escolas, 800 professores que já deviam estar colocados com salários em atraso,

Ao fim de um mês de não abertura do ano letivo, depois de Crato ter pedido perdão com a soberba de recordar que o pedido era um momento histórico, vai ao parlamento e diz o quê acerca dos professores que perderam o lugar?

Pede perdão por ter garantido a estabilidade dos professores já colocados?

Não.

Afirma isto: "eu disse que os professores mantêm-se; eu não disse manter-se-ão"!

Esta inqualificável falta de respeito para com os professores e para com a democracia, este totalitarismo discursivo, devia ter sido seguido de uma demissão em segundos.

Crato acabou. Demitido ou não.