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Expresso

É isto mesmo, Carme Chacón

Carme Chacón fez um último discurso três dias antes de morrer.

Já tudo foi dito sobre o símbolo da luta pela igualdade de género em Espanha que esta mulher representou, nomeadamente por ter sido a primeira mulher nomeada para o cargo de ministra da Defesa.

Entre as suas últimas palavras constam as seguintes: “a política rouba-te muitíssimo tempo. O tempo do ócio, os fins de semana, e sobretudo rouba-te o anonimato. Por isso, há que saber o que te move, porque estás ali. Há dias maus, há dias péssimos, mas saber qual é o motor, quais as motivações, é o que nos faz melhorar. Aprendi com Felipe González a ter empatia, a ser capaz de me pôr nos sapatos do outro”.

É isso mesmo. Está aqui tudo, numa síntese perfeita, está aqui tudo. Como estar na política e porquê estar na política, está aqui tudo, está aqui tudo.

Só se pode (ou só se deve) estar na política sabendo o que nos move, quais são os nossos motores, as nossas causas. É a partir dessa definição forte e inquebrantável que se vivem os dias que são maus, os dias que são péssimos, que se aceita a consequência da perda do anonimato, que se vive para ontem.

Só se pode (ou só se deve) estar na política se a palavra “tu” for transformada em verbo, se a empatia estiver atrás da caneta e da voz todos os dias, porque não se pode (ou não se deve) estar na política fora dos sapatos do outro.

Só assim há dias bons, só assim há dias ótimos, só assim há dias bem-sucedidos.

Só assim se faz Política.

É isto mesmo, Carme Chacón.