Siga-nos

Perfil

Expresso

Angola ou do silêncio cheio de apetite 

Mais uma vez, o regime Angolano diz em voz alta que a sua Constituição é semântica. Como era a portuguesa, de 1933. Na Angolana, estão lá o Estado de direito, os direitos fundamentais, as liberdades fundamentais e a separação de poderes.

A PGR portuguesa emitiu uma nota a informar que o MP acusara o ex-presidente da Sonangol e vice-presidente de Angola dos crimes de corrupção ativa e branqueamento de capitais e logo as autoridades angolanas reagiram como as conhecemos.

Zangam-se com o Governo português, tratam de cancelar a visita oficial da Ministra da Justiça, porque, como todas e todos sabemos, uma ditadura não respeita a separação de poderes. Uma ditadura não admite que órgãos judiciais “incomodem” o executivo e pasma-se que os governos dos países democráticos não ponham os magistrados na ordem em nome das “boas relações diplomáticas” (“económicas”, certo?).

Ainda assim, tanto silêncio cheio de apetite sobre a natureza do regime angolano, não é?

Para o regime angolano, a separação de poderes é “um sério ataque à República de Angola, suscetível de perturbar as relações entre os dois Estados”. Esta ameaça ditatorial não se dirige, naturalmente, a relações protocolares, mas à cleptocracia de Eduardo dos Santos, família e Partido, de cuja refeição Portugal participa.

Onde se lê “relações entre os Estados”, leia-se, por exemplo, investimento português na construção civil em Angola e o dinheiro que circula pela nossa Avenida da Liberdade (e outras avenidas menos visíveis), dinheiro esse detido exclusivamente pelas famílias da nomenclatura angolana, enquanto o povo agoniza, preso a taxas de inflação exorbitantes, preços impossíveis de bens de consumo essencial e sem ver qualquer investimento em direitos sociais reais, isto antes e após a queda do preço do petróleo, não vale a pena tentar desculpar o assalto ao povo.

Ainda assim, tanto silêncio cheio de apetite sobre a natureza do regime angolano, não é?

Entretanto, o relatório da amnistia internacional sobre a justiça, os prisioneiros de consciência, os direitos humanos, a liberdade de associação, de reunião e de expressão vai ao encontro do que se passou há dias numa manifestação pedindo a demissão do ministro da Administração do Território, Bonito de Sousa, uma vez que este, ao mesmo tempo que concorre a vice-presidente tem a “equitativa” tarefa de conduzir o registo eleitoral. Perante a manifestação que denunciava os evidentes sinais de fraude eleitoral, o regime angolano teve por bem discordar dos manifestantes – entre os quais estava Luaty Beirão – soltando cães em cima deles, que acabaram feridos.

Ainda assim, tanto silêncio cheio de apetite sobre a natureza do regime angolano, não é?

Passado e presente a mostrarem a cleptocracia, a brutalidade e as conivências com esta ditadura.

Ainda assim, tanto silêncio cheio de apetite sobre a natureza do regime angolano, não é?