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Expresso

2016 - Que nunca se esqueça 

O ano que agora acaba foi um ano de concretização da igual dignidade de todas as pessoas. A igualdade abraçou a República, a lei expulou as expulsões, homens, mulheres e crianças vetadas por tempo de mais à indignidade deixaram de ser insultadas pelo Estado.

Acabou a discriminação na lei.

Que nunca se esqueça que foi em 2016 que se pôs fim à discriminação em função da orientação sexual na candidatura à adoção.

Que nunca se esqueça que foi em 2016 que se pôs fim à discriminação em função da orientação sexual e do estado civil na procriação medicamente assistida (PMA), um passo enorme contra o sexismo e a homofobia.

Que nunca se esqueça que foi em 2016 (ontem) que entrou em vigor a regulamentação da PMA garantindo igualdade no acesso ao Serviço Nacional de Saúde.

Que nunca se esqueça que foi em 2016 que se pôs fim à discriminação com base na orientação sexual na doação de sangue.

Que nunca se esqueça que foi em 2016 que pela primeira vez o Governo deu apoio estrutural a trabalho de apoio a vítimas LGBT.

Que nunca se esqueça, assim, que em 2016 as famílias homoparentais passaram a ser reconhecidas, que todas as nossas crianças passaram a ser respeitadas e protegidas, que todas as mulheres passaram a poder ser mães sem a tutela de um homem, que o preconceito perpetuado numa norma que excluía pessoas na doação de sangue acabou e que as vítimas LGBT passaram a ter apoio governativo.

Falta muito? Sim. Falta continuar a lutar contra a discriminação, aprendermos todas e todos o que é e como é ser-se vítima dessa discriminação, desmantelar mitos, explicar que o mundo LGBT, ainda cheio de dor, transborda um certo imaginário citadino, seguro e livre que inspira algumas colunas de opinião.

Mas nunca se esqueça que 2016 foi o ano arco-íris. Com uma enorme caminhada por trás e com muita gente, do lado justo da história, há tempo de mais à espera dele.

Que nunca se esqueça.