Siga-nos

Perfil

Expresso

Juventude Tea Party – o futuro do CDS

A Juventude popular quer que a abstinência sexual seja incluída na educação sexual como forma de contraceção.

Onde é que já vimos isto?

Na doutrina da igreja católica, claro. A abstinência sexual como forma de contraceção foi e é responsável pelo drama das gravidezes não planeadas e da desigualdade de género. A abstinência sexual como forma de contraceção foi e é responsável por ciclos de pobreza que são particularmente dramáticos para mulheres e raparigas. A abstinência sexual como forma de contraceção foi e é responsável pela disseminação de doenças sexualmente transmissíveis.

A ONU esforça-se e vem conseguindo avanços em matéria de direitos sexuais e reprodutivos, a Amnistia Internacional esforça-se e vem conseguindo avanços. Os direitos sexuais e reprodutivos estão claramente definidos na Conferência Internacional de 1994 sobre População e Desenvolvimento, que teve lugar no Cairo, entre os quais se inclui o direito à informação, educação e aconselhamento sobre saúde sexual de forma a melhorar as relações pessoais e qualidade de vida.

Como está a acontecer em tantos lugares, desta vez, nesta época em que o obscurantismo e o reacionarismo está a vir ao de cima sem pudor, o futuro do CDS, os seus jovens políticos, mostram o seu modelo de sociedade: querem voltar a uma sociedade na qual a sexualidade não é vista como uma dimensão positiva e livre do bem-estar de cada uma e de cada um a todos os níveis. Querem voltar a uma sociedade em que a sua ideologia “é melhor não falar no assunto” se sobrepõe à dimensão da sexualidade como parte da nossa saúde. A Juventude Popular está pronta para dar cabo dos direitos sexuais e reprodutivos, contribuindo com o método mais eficaz para o atraso civilizacional.

Nesta era pós-Trump saltam as tampas todas.

A Juventude Popular, em modo Tea Party, ignora todas as convenções internacionais sobre educação sexual, todos os estudos reconhecidos sobre o tema, e está pronta para defender que o melhor que o Estado tem a fazer é explicar aos jovens que a doutrina da abstinência, que causou e causa tragédias ao redor do globo, é um esplendor a ser equiparado ao acesso a métodos de contraceção modernos, a cuidados de saúde materna e planeamento familiar essenciais para a redução dos casos de IVG, mas também para a prevenção de infeções sexualmente transmissíveis.

Todas e todos, independentemente do nosso género ou orientação sexual, temos direito a uma vida sexual saudável, consensual, segura, bem como o direito a controlar o nosso próprio corpo e a ter acesso à informação necessária para tomar decisões seguras.

O futuro do CDS está à vista. E ainda bem.