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Expresso

PSD ou o novo PRD

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O PSD fundado e desenvolvido na sua ação com base nos princípios decorrentes de um pensamento social-católico, social-liberal e social-democrata, esse apostado no desenvolvimento económico, privilegiando mudanças sociais e culturais como meio determinante de promover e alargar a democracia desapareceu.

Apareceu o PRD, o Partido Reacionário Demagógico.

Reacionário, porque avesso a todas as mudanças que um pensador mediano sabe urgentes para o progresso de um país devastado pela adesão de Passos ao modelo de desenvolvimento novecentista, obsoleto, esse que concretizou no seu projeto de revisão constitucional antes mesmo de ser primeiro-ministro: um texto arqueológico com um modelo de Estado selvagem.

Reacionário porque insistente na sua política de quatro anos de austeridade, de corte de rendimentos das famílias, de destruição de direitos, de baixos salários e despedimentos rápidos, de destruição de prestações sociais, de assalto ao direito à habitação, de enfraquecimento de todas as dimensões do Estado social, olhado como um custo e não como um direito e um investimento. Essa insistência prova o carácter reacionário das políticas seguidas durante quatro anos e o caráter reacionário do PSD de hoje, porque as tais das políticas não foram inevitabilidades, mas escolhas. As escolhas de então e de hoje dão-nos a notícia da morte do PSD e no nascimento de um partido reacionário.

O seu caráter reacionário foi e é luminoso quando se posiciona perante a UE, ontem um vassalo feliz, porque de Bruxelas vinha a cartilha “por defeito” do desígnio ideológico desta nova direita ani-desenvolvimento que atirou Portugal, em termos de pobreza, emigração, desemprego ou investimento para décadas do nosso passado coletivo.

Apareceu o PRD, o Partido Reacionário Demagógico.

Demagógico e populista, com características de atuação de extrema-direita, um partido que perdeu qualquer apego ao interesse nacional, disposto a tudo para ganhar palco, disposto ao papel despudorado com que nos presenteou perante a hipótese de sanções, porque o vazio aspira sempre ao episódio que crie confusão e confusão a todo o custo é o modo de acão do novo PRD.

Demagógico porque deitou fora o institucionalismo de um partido não populista. Para o novo PRD, a casa da democracia passou a ser um circo, onde se bate furiosamente nas bancadas perante a liberdade de expressão alheia que os ofende ficticiamente, onde se grita e uiva como num comício, onde se desrespeita as decisões do Presidente da Assembleia da República usando sempre a técnica da insinuação da parcialidade.

Demagógico porque não faz política de propostas, mas política de arena jornalística, é esse o novo parlamento do novo PRD, meio onde novos protagonistas escolhidos a dedo mentem e distorcem os factos sobre cada tema que está em cima da mesa, da Caixa Geral de Depósitos aos contratos de associação.

O novo PRD tem, naturalmente, dificuldades com a democracia parlamentar e persiste no erro de dedicar discursos irados contra os partidos que suportam parlamentarmente o Governo. Nessa insistência, de pátria na lapela, insistem em espetar-nos na cara que têm por mais normal a ocultação dos problemas do sistema financeiro para a encenação da saída limpa, a vassalagem a Bruxelas, o plano do corte de 600 milhões de euros nas pensões, do que a democracia parlamentar.

E não é só isso. É raiva, mesmo. Raiva nos olhos cada vez que uma alternativa se cumpre, como o aumento do salário mínimo. O novo PRD fez-se nesta raiva. E a raiva esquece o presente e aspira à vingança.