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Expresso

Esta semana dignificou-se a República – e depois há o PSD

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No âmbito das celebrações dos 40 anos da Constituição, dignificou-se a República. Estou a referir-me à atribuição do título de Deputados honorários aos Deputados constituintes, agora, que a Constituição de 1976 celebra 40 anos de existência.

Homens e mulheres a quem devemos uma entrega total, após eleição por sufrágio universal, com a participação de mais de 90% do eleitorado, da Assembleia Constituinte. Um momento histórico, de debate naturalmente intenso, carregado de ideologias contraditórias, do qual resultou a lei fundamental democrática pela qual o país esperava, após uma longa e escura noite de ditadura.

A ocasião foi de justiça e de homenagem à história que é ainda o nosso presente. Uma Constituição que continua a ser a mesma e na qual a sociedade se revê.

Ouvir nome a nome de cada deputada e de cada deputado para a entrega do título foi também ouvir o momento fundacional da segunda República. Recordar as Deputadas e os Deputados constituintes já falecidos incluiu-os na cerimónia comovente que teve lugar no dia 13 de abril.

É uma honra para todas e todos os Deputados que atualmente exercem funções ainda poderem partilhar o seu dia a dia com três dos Deputados constituintes ainda em funções e que usaram da palavra para recordar o processo de elaboração da Constituição: Miranda Calha; Jerónimo de Sousa; e Helena Roseta.

Este momento que também recordou o exemplar e corajoso presidente da constituinte, Henrique de Barros, expande-se aos representantes do povo de hoje; expande-se à dignidade do exercício da sua função, independentemente das diferenças democráticas que nos separam.

No dia seguinte a termos assistido às deputadas e aos deputados constituintes simbolicamente sentados na sala do Plenário, assistimos no debate parlamentar com o primeiro-ministro ao que, precisamente, mata a dignidade referida mais atrás.

O PSD exige (!) ouvir João Soares, um ministro que já se demitiu, como as suas declarações impunham. O PSD exige (!) ouvir a ERC. O PSD exige (!), exige e exige ouvir o secretário de estado do desporto que já não está em funções.

O PSD arrasta e persegue a sua própria miséria, reivindicando para si o estatuto de vigilante de matérias encerradas. Queixa-se de que estas audições patéticas tenham sido rejeitadas por voto democrático no Parlamento. Queixa-se e exige e exige e exige!

O mesmo PSD que quando era Governo com ministros, não demitidos, mas em funções, rejeitou a audição do então ministro Relvas que ameaçou a jornalista Maria José Oliveira de que iria divulgar na Internet que esta – e dizia - “vive com um homem de um partido da oposição". O mesmo PSD que teve por indiferentes pressões diretas ao Tribunal Constitucional por parte de uma ministra da justiça em funções.

O PSD exige e exige (!) ouvir o Ministro da Defesa. O Ministro que cumpriu o dever de ter uma atitude exemplar: afirmar que o Ministério da Defesa não admite discriminações com base na orientação sexual ou outras e, naturalmente, pedir explicações ao Estado Maior a solicitar-lhe que informasse sobre o que tencionava fazer sobre o assunto conhecido, tendo em conta a tutela sobre o Colégio Militar.

O PSD exige e exige ouvir!

Na verdade, o PSD exige e exige não discutir os problemas do país e insistir no ridículo que o mata.

Foi assim.

Num dia dignifica-se a República. Mas há o PSD: no dia seguinte exige e exige atirar-lhe pedras.