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Expresso

Educação – acabou o massacre

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Como todos os direitos fundamentais, o direito à educação tem uma ligação direita com o princípio da dignidade da pessoa humana, inscrito no artigo 1º da Constituição, ligação essa sublinhada no programa do atual governo.

O direito das pessoas à educação é, em primeiro lugar, um imperativo do estado social, é a negação de que alguém fique para trás sem armas e sem acesso ao progresso, condição de emancipação.

A opção clara por políticas públicas de educação, à vista de todos, é uma opção pela qualificação, sem a qual não teremos uma sociedade sustentável e desenvolvida, mas antes uma democracia formal que se demite da obrigação de promover a plena realização pessoal dos cidadãos.

Nos tempos recentes, tem-se falado do facto de o Ministério da Educação ter colocado como primeira prioridade de atuação a Promoção do Sucesso Escolar, que tem como ponto fundamental de sucesso a avaliação.

Foi, assim, aprovado o “Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico”. Pondo fim a uma conceção absolutamente errada de avaliação, continuam os exames do 9º ano, são abolidos os exames de 4º e 6º anos, introduzem-se provas de aferição a meio de cada ciclo de estudos, para que essas provas deem um contributo atempado à melhoria das aprendizagens, permitindo detetar a tempo o que está bem e deve prosseguir, mas igualmente o que seja preciso corrigir ou melhorar.

A direita apressou-se a largar bombas sobre o quê? Sobre a banalidade de haver um regime transitório.

Confessa, assim, o erro das suas políticas em matéria de educação, o massacre a que sujeitou os jovens, donde não atacar a opção de fundo em si, como a abolição dos exames do 4º ano, mas a existência, imagine-se, de um regime transitório.

Talvez a direita desejasse que a implementação do regime confessadamente certo fosse feita sem prudência, para então poder fazer berraria com imaginados maus resultados. É o raciocínio normal desta direita que prefere o mal do país, fazendo campanha para isso se necessário, muda e calada em propostas, tudo em nome de uma opacidade que esconda o que teríamos em cima da mesa caso a mesma fosse governo.

O massacre dos estudantes acabou. E o massacre era política concreta.

Pensará a direita que Portugal esqueceu Crato, o ministro da (des)educação, da mudança de métodos dia sim dia sim, da avaliação aos horários, passando pela autossuficiência, não ouvindo ninguém?

O massacre acabou. Façam o ruído que fizerem com a banalidade de um regime transitório, o massacre acabou. O “Modelo Integrado de Avaliação Externa das Aprendizagens no Ensino Básico” está em curso. As escolas estão prontas. O diálogo é hoje uma realidade normal. Os alunos recebem do Estado uma palavra só, correta, tal como os pais e os profissionais.

Acabou o massacre. Mais: acabou o castigo.